Segurança energética ganha espaço na estratégia logística para a Black Friday
Com o crescimento do e-commerce e a pressão por entregas cada vez mais rápidas, empresas passam a tratar a segurança energética como um elemento estratégico para garantir a continuidade das operações
A preparação para a Black Friday deixou de envolver apenas estoques, transporte e tecnologia. Com a expectativa de que a edição de 2026 movimente cerca de R$ 13,3 bilhões no comércio eletrônico brasileiro, cresce também a atenção das empresas a um aspecto menos visível, mas cada vez mais estratégico para o funcionamento da cadeia logística: a segurança energética.
Em um cenário marcado pela expansão do e-commerce, pela automação dos centros de distribuição e pela redução dos prazos de entrega, interrupções no fornecimento de energia podem gerar impactos que vão muito além da paralisação momentânea de uma operação. Dependentes de sistemas integrados de gestão, equipamentos automatizados, esteiras, mecanismos de rastreamento e processamento contínuo de pedidos, os operadores logísticos passaram a tratar a disponibilidade de energia como um fator essencial para a manutenção de suas atividades.
Para Maysa Calmona, gerente de Marketing e Inteligência de Mercado da Tecnogera, a resiliência energética passou a integrar o planejamento operacional para períodos de alta demanda. “A logística moderna depende de um ambiente altamente conectado e automatizado. Em datas como a Black Friday, qualquer interrupção pode gerar atrasos, comprometer indicadores de desempenho e impactar diretamente a experiência do consumidor”, afirma.
A executiva explica que empresas do setor vêm reforçando seus planos de contingência para reduzir riscos em momentos críticos. “Entre as medidas adotadas estão a realização de testes preventivos da infraestrutura elétrica, o monitoramento remoto dos equipamentos e a implantação de estruturas de backup capazes de assumir a operação automaticamente em caso de falhas na rede. O objetivo é garantir a continuidade das atividades mesmo diante de eventuais instabilidades externas”, enumera.
A gestão de riscos evoluiu significativamente nos últimos anos. Se antes a atenção das empresas estava concentrada principalmente em estoques, transporte e sistemas de informação, hoje o planejamento inclui toda a estrutura necessária para sustentar a operação durante períodos de pico, abrangendo conectividade, climatização e fornecimento de energia.
O movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado. Nos últimos anos, grandes marketplaces e operadores logísticos ampliaram investimentos em centros de distribuição, automação e inteligência operacional para atender a um consumidor cada vez mais exigente. Nesse contexto, a robustez da infraestrutura passou a ser vista como parte importante da estratégia de eficiência e competitividade das empresas.
Ao mesmo tempo, o avanço da digitalização e da automação tem ampliado a dependência energética das operações logísticas. Centros de distribuição cada vez mais conectados exigem maior previsibilidade e disponibilidade dos sistemas, tornando as estratégias de contingência um componente relevante para a preservação do fluxo operacional em períodos de alta demanda.
Para Maysa Calmona, a Black Friday funciona como um teste de resiliência para toda a cadeia logística. “O desafio não é apenas movimentar um volume maior de pedidos, mas garantir que toda a operação permaneça disponível durante períodos de máxima exigência. A capacidade de manter sistemas críticos funcionando de forma ininterrupta tornou-se um fator cada vez mais relevante para o cumprimento dos prazos e para a experiência do consumidor em um ambiente altamente competitivo”, conclui.
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