Faculdade de terapia ocupacional: autonomia e qualidade de vida na formação de terapeutas
Reabilitação, inclusão e acolhimento orientam o trabalho em diferentes fases da vida e indicam caminhos para quem deseja seguir carreira na área
Tarefas do cotidiano como tomar banho, levantar de uma cadeira, da cama, preparar uma refeição, carregar sacolas do mercado ou voltar do trabalho podem se tornar difíceis diante de uma doença, deficiência ou envelhecimento. A faculdade de terapia ocupacional é uma das formações que preparam o profissional para auxiliar quem precisa de ajuda.
O papel e os campos de atuação do terapeuta ocupacional
A área, voltada para a saúde, é também ligada ao social. A longo prazo, através de treinos de reabilitação motora, cognitiva, emocional e sensorial, o profissional é capaz de ajudar pacientes a melhorarem sua rotina e conseguirem fazer tarefas do dia a dia sozinhos, diminuindo a necessidade de ajuda ou suporte.
Normalmente, quem procura o trabalho de um terapeuta ocupacional são aqueles que percebem a necessidade desse tipo de ajuda, seja para ter sua autonomia de volta ou como auxílio na infância. O suporte inclui:
– Crianças com processamento sensorial alterado, dificuldades motoras na coordenação e na escrita, atrasos de desenvolvimento, autistas e pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
– Adultos em recuperação de casos de traumatismo craniano, Acidente Vascular Cerebral (AVC), lesões na medula, ortopédicas e amputações. Além disso, doenças como artrite, esclerose múltipla e fibromialgia também se beneficiam do tratamento;
– Idosos com limitações pós-cirúrgicas, os que buscam preservar o corpo de quedas através de adaptações domiciliares ou aqueles com algum nível de demência;
– Pessoas com deficiência auditiva ou visual, gestantes que precisam de cuidados e pacientes em reabilitação física.
De acordo com cada caso, o especialista é capaz de traçar um tratamento e seguir com uma linha diferente de atuação. Elas envolvem desde atuação em disfunções físicas, com reabilitação e adaptações em casa, até aquelas que incluem saúde mental, com tratamentos que tornam o dia a dia mais fácil.
Atualmente, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), órgão regulador da profissão no Brasil, reconhece sete segmentos de atuação. Cada uma possui seu papel, mas todas têm como principal função promover a qualidade de vida das pessoas. São elas:
Acupuntura: aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo, é usada como recurso terapêutico para a prevenção ou reabilitação.
Contextos sociais: criação de estratégias para fortalecer redes de apoio, valorização cultural, acesso a direitos e geração de renda em diferentes contextos sociais.
Contextos hospitalares: promoção de uma vida com dignidade para pacientes internados em diferentes setores do hospital.
Contexto escolar: desenvolvimento de habilidade motora e cognitiva para pessoas em idade escolar, melhorando o ambiente de aprendizagem.
Saúde da Família: prevenção através do fortalecimento da capacidade motora, funcional, social e ocupacional.
Gerontologia: promove a recuperação cognitiva, motora e sensorial, facilitando a realização de tarefas e melhorando as condições de vida de pessoas idosas.
Saúde Mental: ajuda indivíduos a desenvolver a autossuficiência e o equilíbrio de sua saúde mental.
Tratando-se de cuidados que envolvem o sistema de saúde no geral, esse tipo de terapia tem muita relevância, principalmente quando se trata do âmbito público e comunitário.
Com o auxílio das terapias de recuperação, os pacientes voltam a ter liberdade individual mesmo após condições limitantes. Devolver a possibilidade de fazer coisas simples da rotina, como se vestir, tomar banho sozinhos ou levantar-se, promove uma sensação de liberdade essencial para a manutenção da saúde mental.
Além disso, esse tipo de terapia, quando voltada para condições motoras ou de adaptação do domicílio, garante a instrumentalização desses pacientes, reduzindo a necessidade de cuidadores, retirando a carga da família e possibilitando até a volta para o trabalho.
No âmbito primário, a prevenção através de cuidado integral e personalizado, principalmente com crianças e idosos, permite tanto um desenvolvimento mais rápido quanto um envelhecimento com mais qualidade de vida.
Como ingressar na profissão e diretrizes de formação
Atualmente, a consolidação de uma carreira voltada ao cuidado e à autonomia humana começa no ingresso em uma faculdade de terapia ocupacional regularizada e alinhada às diretrizes da área de saúde.
Para entrar na área, é preciso formação profissional em um curso de bacharelado com duração de oito semestres. Além de estágio supervisionado em hospitais, clínicas, unidades de saúde ou centros de reabilitação.
Tanto a carga horária da instituição de ensino quanto a prática fora desse ambiente ajudam a unir o conhecimento teórico com a rotina de quem deseja começar na área.
Além disso, para trabalhar no setor, é preciso lembrar que o terapeuta ocupacional atua normalmente em ambientes hospitalares ou com pacientes que buscam ajuda para o dia a dia, seja por questões de deficiência, acidentes ou qualquer outra situação que impeça uma vida autônoma.
Por isso, é fundamental que o profissional seja empático e saiba ouvir cada paciente de forma individualizada e com atenção, criando assim sessões de terapias que façam sentido com cada realidade e necessidade. Outro ponto de destaque é a necessidade de ter paciência e boa comunicação, informando que o processo de recuperação pode ser longo.
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