Saúde dos rins: exames simples podem ajudar a detectar alterações cedo
Como a perda da função renal pode não provocar sintomas nos primeiros estágios, exames periódicos ajudam na identificação precoce
Créditos: istock/mi-viri
Uma em cada dez pessoas no Brasil vive com algum grau de doença renal crônica (DRC), segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). O problema é que, nas fases iniciais, a perda da função dos rins pode não provocar sintomas, fazendo com que alterações importantes sejam descobertas apenas durante exames de rotina.
A situação também chama atenção fora do país. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as doenças renais passaram da 17ª para a 9ª posição entre as principais causas de morte no mundo entre 2000 e 2023, com aumento de 86% no número de mortes no período.
Por isso, acompanhar a saúde dos rins não depende apenas de perceber algum sintoma. Exames de sangue e urina podem ajudar a identificar alterações antes que a perda de função se torne mais evidente.
Por que a doença renal passa despercebida
A doença renal crônica costuma avançar lentamente. Segundo o nefrologista e intensivista Hans Stauber Kronit, a evolução progressiva faz com que muitos pacientes não percebam alterações nos primeiros estágios.
"A doença renal crônica tem uma evolução progressiva e irreversível. Nas fases iniciais, geralmente o paciente não apresenta sintomas. Quando eles aparecem, a doença normalmente já está em estágio mais avançado", explica o médico em entrevista ao Jornal Opção.
Os rins têm capacidade de compensar parte da perda de função, o que ajuda a entender por que uma pessoa pode não perceber mudanças no cotidiano.
Quando aparecem, os sinais podem ser pouco específicos. Entre eles estão:
- Inchaço nas pernas, pés ou rosto;
- Alterações persistentes na urina;
- Presença de sangue ou proteína na urina;
- Cansaço sem causa aparente;
- Pressão arterial elevada ou de difícil controle.
A presença de um desses sinais não significa, por si só, que exista doença renal. A avaliação depende do histórico da pessoa, do exame clínico e dos resultados laboratoriais.
Quem precisa ficar mais atento
Algumas condições aumentam a probabilidade de desenvolver doença renal e tornam o acompanhamento mais importante. Entre os principais fatores de risco estão: hipertensão arterial, diabetes, histórico familiar de doença renal, obesidade, idade avançada e histórico de problemas renais.
Por isso, o acompanhamento periódico tem um papel importante para quem já apresenta fatores de risco, mesmo quando não há queixas.
Os exames que mostram como os rins estão funcionando
A avaliação da função renal pode começar com exames laboratoriais conhecidos e amplamente utilizados, como:
- Creatinina: substância eliminada pelos rins cuja concentração no sangue pode aumentar quando a filtração renal diminui.
- Taxa de filtração glomerular (TFG): estimativa da capacidade dos rins de filtrar o sangue, geralmente calculada a partir da creatinina e de outros dados.
- Exame de urina: pode identificar sangue, proteínas e outras alterações.
- Relação albumina-creatinina urinária: ajuda a detectar a presença de albumina na urina, um marcador de possível lesão renal.
Entretanto, as informações não devem ser interpretadas de maneira isolada. Uma creatinina alterada não confirma sozinha a existência de doença renal. A avaliação médica considera outros exames, condições de saúde e a evolução dos resultados ao longo do tempo.
Acompanhamento e hábitos que protegem os rins
A prevenção da doença renal passa pelo controle das condições que podem comprometer os rins, principalmente hipertensão e diabetes. Manter o acompanhamento médico e realizar os exames solicitados permite observar alterações antes que elas avancem.
A rotina também pode contribuir para a preservação da função renal. Controlar a pressão arterial e a glicemia, manter uma alimentação equilibrada, evitar o consumo excessivo de sal e praticar atividade física regularmente são algumas das principais formas de cuidado indicadas pelo nefrologista.
Para quem tem hipertensão ou diabetes, saber quando procurar um nefrologista é parte de um cuidado contínuo que ajuda a preservar a função dos rins por muitos anos, sempre a partir da orientação da equipe de saúde que já acompanha o paciente.
A avaliação especializada pode ser indicada quando há alterações persistentes nos exames, redução da taxa de filtração glomerular, presença de albumina ou proteína na urina, histórico familiar relevante ou outros fatores que elevem o risco.
O objetivo do acompanhamento é identificar o que está acontecendo com a função renal e definir, junto à equipe de saúde, a melhor forma de monitorar cada caso. Como explica Kronit, "quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de retardar sua progressão e preservar a qualidade de vida do paciente".
Assim, para quem apresenta fatores de risco, exames relativamente simples podem fornecer informações importantes sobre o funcionamento dos rins e ajudar a identificar alterações ainda no início.
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