Armazenamento de energia em baterias: como funciona
Tecnologia permite guardar eletricidade para uso posterior e ganha espaço no planejamento do sistema elétrico brasileiro
Créditos: istock/primeimages
O armazenamento de energia em baterias é uma tecnologia que permite guardar eletricidade para utilizá-la posteriormente. No setor elétrico, esses sistemas são conhecidos pela sigla BESS, do inglês Battery Energy Storage System, ou sistema de armazenamento de energia em baterias.
Em termos simples, a bateria não produz energia: ela armazena eletricidade disponível e a devolve quando necessário.
A tecnologia ganha relevância à medida que fontes renováveis, como solar e eólica, ampliam sua participação na matriz elétrica. Como a geração dessas fontes depende de condições naturais, podem existir períodos de maior produção e outros em que a oferta diminui. O armazenamento pode ajudar a deslocar parte dessa energia no tempo.
O que é um sistema de armazenamento de energia em baterias
Um sistema de armazenamento de energia reúne baterias, equipamentos de conversão e sistemas de controle capazes de receber, armazenar e devolver eletricidade. Quando há energia disponível, o sistema é carregado. Em outro momento, a eletricidade armazenada pode ser liberada para atender à demanda.
Essa característica diferencia uma bateria de uma usina geradora. Uma usina produz eletricidade a partir de uma fonte energética, enquanto o sistema de armazenamento trabalha com energia que já foi produzida.
Na prática, o armazenamento pode atuar em diferentes momentos da operação elétrica. Em um período de geração solar elevada, por exemplo, parte da eletricidade disponível pode ser direcionada para as baterias. Depois, o sistema pode devolver essa energia quando a geração solar diminuir.
O Ministério de Minas e Energia (MME) explica que os sistemas contratados no primeiro leilão brasileiro dedicado a baterias poderão armazenar eletricidade e devolvê-la ao sistema quando houver necessidade operativa. A medida também está relacionada ao aproveitamento de excedentes de geração renovável e à flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Além da capacidade de armazenamento, os equipamentos precisam responder aos comandos de operação do sistema elétrico. Nos projetos previstos para os leilões de 2026, essa atuação será coordenada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Como ele guarda e devolve energia à rede
O funcionamento pode ser dividido em duas etapas principais: carregamento e descarga. Durante o carregamento, a eletricidade é convertida e armazenada quimicamente nas células das baterias. Na descarga, ocorre o processo inverso, permitindo que a energia volte ao sistema elétrico.
Esse processo exige equipamentos eletrônicos capazes de controlar a conversão entre a corrente utilizada na rede e a forma de energia armazenada nas baterias. Sistemas de controle também acompanham parâmetros operacionais para que a carga e a descarga ocorram de acordo com as necessidades previstas.
Os parâmetros definidos para o primeiro leilão de armazenamento ajudam a dimensionar essa função. De acordo com o MME, os sistemas deverão ter potência mínima de 30 megawatts (MW), capacidade de operação contínua por pelo menos quatro horas e tempo máximo de seis horas para uma recarga completa.
A exigência também prevê eficiência total mínima de 85%.
Na prática, isso significa que os equipamentos contratados precisam estar preparados para entregar potência ao sistema durante períodos determinados e recuperar sua carga posteriormente. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), os sistemas poderão ser demandados até duas vezes por dia e deverão ter seis horas para recuperar a carga total.
Por que o Brasil está apostando em baterias agora
A expansão das fontes renováveis aumenta a necessidade de flexibilidade na operação do sistema. A geração solar, por exemplo, concentra sua produção durante o período de incidência solar, enquanto a demanda por eletricidade pode permanecer elevada em outros horários.
As baterias podem ajudar a deslocar parte da energia produzida em determinado momento para outro período. Isso não elimina a necessidade de geração ou transmissão, mas acrescenta uma ferramenta para administrar diferenças entre oferta e demanda.
O primeiro leilão brasileiro específico para sistemas de armazenamento representa uma mudança na forma de contratação dessa tecnologia. O MME estabeleceu, em junho de 2026, as diretrizes para os certames de armazenamento, enquanto a ANEEL abriu posteriormente consultas públicas para os editais.
Os dois leilões previstos para dezembro de 2026 deverão contratar disponibilidade de potência de sistemas autônomos de baterias. Os contratos terão duração de 15 anos, com início de suprimento previsto para agosto de 2028.
O primeiro leilão dedicado a baterias é visto como uma forma de o bess reforçar a segurança do sistema elétrico e aproveitar melhor as fontes renováveis.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o ONS também participam do planejamento técnico dos certames, com estudos sobre a capacidade remanescente do SIN e os requisitos necessários para a participação dos projetos.
Nesse contexto, o armazenamento passa a fazer parte do planejamento da infraestrutura elétrica brasileira. As baterias podem contribuir para administrar variações na oferta, atender necessidades de potência e aumentar a flexibilidade da operação.
O papel da tecnologia, portanto, está relacionado à capacidade de guardar eletricidade e disponibilizá-la no momento definido pela operação do sistema.
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