Curso de Gerontologia: uma carreira diante do Brasil que envelhece

Com o aumento da população idosa no país, crescem também as demandas por profissionais preparados para atuar na promoção da saúde, autonomia e qualidade de vida
13/08/2026 10:33
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Curso de Gerontologia: uma carreira diante do Brasil que envelhece

 

Com o aumento da população idosa no país, crescem também as demandas por profissionais preparados para atuar na promoção da saúde, autonomia e qualidade de vida

 

Créditos: istock/andreswd

 

Entre 2012 e 2025, a parcela da população com menos de 30 anos caiu de 49,9% para 41,4%, enquanto a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em números absolutos, o grupo de jovens perdeu mais de 10 milhões de pessoas no período, o que evidencia o ritmo acelerado do envelhecimento do país.

 

A mudança na composição etária modifica também as necessidades de saúde e assistência. Viver mais tempo pode significar acompanhar, por mais anos, condições crônicas, mudanças na mobilidade, questões relacionadas à memória e adaptações na rotina. O cuidado passa a envolver não apenas o tratamento de doenças, mas também autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.

 

O ritmo do envelhecimento populacional no Brasil

 

Os dados mais recentes ajudam a dimensionar a transformação. Em 2025, 16,6% da população brasileira tinha 60 anos ou mais, ante 11,3% em 2012. Ao mesmo tempo, o grupo com menos de 30 anos passou de 98,2 milhões para 88 milhões de pessoas.

 

A mudança não acontece apenas porque as pessoas estão vivendo mais. A redução da fecundidade também diminui a participação das faixas etárias mais jovens na população. Com menos jovens e uma parcela maior de idosos, serviços públicos, famílias e profissionais precisam se adaptar a uma estrutura demográfica diferente.

 

O envelhecimento também não ocorre de maneira igual em todas as regiões. Dados do IBGE mostram que Sudeste e Sul apresentam proporções maiores de pessoas idosas, enquanto o Norte concentra uma população relativamente mais jovem.

 

A questão, portanto, não se resume ao aumento do número de idosos. É preciso considerar como essas pessoas vivem, quais são suas condições de saúde, quanto de autonomia preservam e que tipo de suporte precisam ao longo do tempo.

 

Novas demandas de cuidado com a população idosa

 

O envelhecimento pode estar associado a mudanças na mobilidade, na cognição, na comunicação e na capacidade de realizar atividades cotidianas. Por isso, o acompanhamento da pessoa idosa pode envolver diferentes profissionais, dependendo das necessidades apresentadas.

 

Na área médica, por exemplo, o geriatra realiza uma avaliação que considera não apenas doenças, mas também funcionalidade, cognição, humor, mobilidade, vulnerabilidade social e possíveis efeitos indesejados de tratamentos. A atuação costuma ocorrer de maneira integrada com outras áreas da saúde.

 

A Gerontologia amplia essa perspectiva ao considerar o envelhecimento para além do consultório. A formação pode preparar profissionais para compreender questões relacionadas à autonomia, participação social, hábitos de vida, relações familiares e organização dos cuidados.

 

Entre os espaços de atuação relacionados à atenção à pessoa idosa estão as unidades de saúde e hospitais, as instituições de longa permanência, o atendimento e acompanhamento domiciliar, os equipamentos da assistência social, além de empresas e organizações e projetos e programas voltados à população idosa.

 

A demanda por esse conhecimento acompanha a própria mudança demográfica. O crescimento da população idosa amplia a necessidade de profissionais capazes de trabalhar de forma integrada e interdisciplinar.

 

Diante desse cenário, o curso de gerontologia se apresenta como caminho para quem deseja se preparar tecnicamente para lidar com as demandas desse novo perfil populacional.

 

O papel do profissional formado na área

 

A atuação em Gerontologia não se limita ao cuidado quando surgem doenças. Um dos objetivos é compreender quais fatores interferem na qualidade de vida durante o envelhecimento e pensar estratégias que favoreçam autonomia e participação social.

 

Isso exige uma visão que considere a pessoa idosa em diferentes dimensões. Uma mudança na mobilidade, por exemplo, pode interferir na realização de tarefas diárias e na convivência social. Da mesma forma, alterações cognitivas podem exigir adaptações na rotina e maior participação da família ou de uma rede de apoio.

 

O profissional pode atuar justamente na identificação dessas necessidades e na elaboração de ações de acompanhamento, educação e promoção da saúde. A depender de sua formação de origem e das qualificações complementares, também pode integrar equipes multidisciplinares responsáveis pelo cuidado de pessoas idosas.

 

A formação na área também pode dialogar com políticas públicas e projetos sociais. O crescimento da população idosa cria demandas que envolvem saúde, assistência social, moradia, mobilidade, lazer e participação comunitária. Por isso, compreender o envelhecimento exige conhecimento que ultrapasse uma única especialidade.

 

Para quem pretende seguir esse caminho, é importante observar que a Gerontologia é uma área multidisciplinar. O percurso profissional pode variar conforme a formação inicial e a área de atuação escolhida, já que diferentes profissões podem trabalhar com o envelhecimento a partir de perspectivas específicas.

 

A área busca compreender como esse grupo pode envelhecer com autonomia e qualidade de vida. Em um país cuja estrutura etária já apresenta mudanças, a formação de profissionais preparados para lidar com essas demandas passa a acompanhar uma transformação que deve continuar nos próximos anos.


 

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