Surubim e os Pocomã lança "Peixes dos Milagres", álbum que transforma o sertão do Rio São Francisco em música contemporânea

Novo trabalho já está disponível nas plataformas digitais e apresenta o conceito de "Barrobeat", sonoridade que conecta as tradições musicais do Norte de Minas a linguagens contemporâneas.
30/07/2026 21:02
noticia Surubim e os Pocomã lança
noticia Surubim e os Pocomã lança

Já está disponível nas principais plataformas de streaming "Peixes dos Milagres", segundo álbum da banda Surubim e os Pocomã. Gravado integralmente em processo analógico no estúdio Forest Lab, em Paty do Alferes (RJ), o trabalho marca uma nova etapa na trajetória do grupo mineiro ao aprofundar a identidade sonora que seus integrantes definem como Barrobeat — uma linguagem musical que nasce das margens do Rio São Francisco e aproxima ritmos tradicionais do sertão norte-mineiro de referências contemporâneas como jazz, funk, pop e Manguebeat.

Formada em 2022, a banda estreou em disco no ano seguinte com o álbum ao vivo Surubim e os Pocomã – Ao Vivo. Agora, após cerca de três anos de composição, experimentação e apresentações pelo país, o grupo chega ao primeiro trabalho de estúdio sem abrir mão da espontaneidade que caracteriza seus shows.

"O Barrobeat nasce do barro, das águas do Rio São Francisco e da cultura barranqueira. É uma música profundamente enraizada no território, mas que dialoga com o mundo", define a banda.

Com cinco faixas, Peixes dos Milagres tem como eixo central a fé — não apenas em sua dimensão religiosa, mas como expressão de pertencimento, resistência e esperança. As canções homenageiam personagens reais do sertão norte-mineiro, como a liderança comunitária Nádia, a benzedeira Dona Zezé e Dona Joana Alves de Mello, avó do compositor Pedro Surubim, cuja voz inspira a faixa Não Nado Só. O disco também percorre paisagens, memórias e tradições ligadas ao Rio São Francisco, ao Cerrado e ao território barranqueiro.

O título do álbum dialoga diretamente com "Milagre dos Peixes", obra emblemática de Milton Nascimento. Mas, em vez de narrar o milagre a partir de quem o testemunha, a banda propõe uma inversão de perspectiva.

"Se Milton cantou Minas Gerais e a música mineira em Milagre dos Peixes, nós queremos contar essa história a partir dos próprios peixes. É um olhar de dentro do rio, do sertão e do Brasil profundo", destaca Pedro Surubim, vocalista da banda.  

Entre as figuras que influenciam a banda estão nomes como Marku Ribas e Tuta Bastos - artistas que representam uma forma de fazer música conectada às raízes do São Francisco e abertas ao mundo. “Mas também dialogamos com nomes fundamentais da música brasileira, como Gilberto Gil e Djavan, e com a força do Manguebeat, especialmente Chico Science & Nação Zumbi, reforça o vocalista.

A opção por uma gravação inteiramente analógica também traduz a busca da banda por autenticidade, fugindo de recursos facilitadores amplamente utilizados pela indústria, principalmente após a chegada a Inteligência Artificial. Registrado em apenas dois dias, o álbum foi gravado com todos os músicos tocando juntos, preservando a dinâmica e a organicidade das performances ao vivo. A produção musical é assinada pelos próprios integrantes — Pedro Surubim, Danilo Guinu e Pedroca Neves —, com engenharia de áudio de Lisciel Franco e participação especial do percussionista Jander Magalhães, integrante da Black Rio.

Mais do que um novo disco, Peixes dos Milagres apresenta uma maneira singular de compreender a música produzida no Norte de Minas. Ao aproximar tradições populares, ancestralidade e experimentação sonora, o Surubim e os Pocomã reafirma a potência criativa do sertão e propõe uma escuta que conecta o Rio São Francisco ao mundo.

 

Surubim e os Pocomã - @surubimeospocoma

Formado em 2022, o Surubim e os Pocomã é um grupo do Norte de Minas Gerais que transforma as sonoridades do território barranqueiro em uma linguagem musical própria, batizada de Barrobeat. Inspirada pelas tradições culturais das margens do Rio São Francisco, a banda conecta ritmos como lundu, Folia de Reis e toadas dos Catopês a referências contemporâneas da música brasileira e mundial, construindo uma obra que une ancestralidade, experimentação e identidade regional. Após a estreia com o álbum Surubim e os Pocomã – Ao Vivo (2023), o trio consolida seu amadurecimento artístico com Peixes dos Milagres, reafirmando sua proposta de apresentar o sertão norte-mineiro como um território criativo, pulsante e conectado ao mundo.

 

"Peixes dos Milagres" já está disponível em todas as plataformas digitais.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS UOL