O PREÇO ALTO DOS MILHÕES
Por Eriberto Henrique
Quem tem um pouco de conhecimento sobre marketing esportivo percebe o quanto o mercado de transmissão de eventos e campeonatos se tornou caótico e competitivo. Em um cenário de crises econômicas, os esportes se tornaram cada vez mais inflacionados, com salários de atletas que fogem à realidade, recebendo valores que parecem incoerentes quando comparados ao mercado de trabalho.
Dependendo da modalidade, muitos jovens, antes dos 20 anos, já se tornam milionários, sem qualquer formação, apenas devido ao seu talento ou ao trabalho de seus agentes. Os altos salários resultam em folhas de pagamento exorbitantes, levando a ingressos mais caros, produtos dos clubes a preços elevados e contas de TV mais caras. As federações e organizadoras de eventos precisam oferecer premiações substanciais, e nessa busca por mais dinheiro, tudo acaba inflacionado.
E quem arca com essa conta? O consumidor! São os torcedores e fãs do esporte que pagam, seja na compra de ingressos, produtos relacionados a atletas e clubes, ou nas diversas assinaturas de streaming e canais para acompanhar jogos e competições. Em troca, recebem campeonatos onde o excesso de partidas impacta diretamente a qualidade do produto.
No mercado, aqueles que visam apenas lucro não se preocupam com a satisfação do cliente, mas apenas em vender mais. Atualmente, vemos times de basquete jogando quase todos os dias e equipes de futebol passando mais tempo viajando do que treinando, enquanto atletas acumulam lesões, pagando o preço elevado dos milhões que entram em suas contas, com cirurgias e sessões de fisioterapia.
Aquele que deveria ser o verdadeiro espectador do espetáculo não se importa se o atleta é humano, se comete erros como qualquer um de nós ou se se lesiona em um acidente de trabalho, sendo criticado até com xingamentos nas redes sociais. A mídia se aproveita disso para manter o debate focado no engajamento, sem se importar em discutir as razões por trás do problema.
As soluções são claras: melhorar a qualidade do produto esportivo deve ser uma prioridade, mesmo que isso signifique oferecer menos, lucrar menos, forçar menos e cobrar menos. Quanto mais nos afastamos da humanidade, mais irracionais nos tornamos.
Eriberto Henrique
Eriberto Henrique. Graduado em Marketing, com pós-graduação em Mídias Digitais, Marketing Esportivo, Ensino de Leitura e Produção Textual e, em Educação Especial. Eriberto Henrique é natural de Jaboatão dos Guararapes-PE, escritor e designer. Diplomado pela Academia Independente de Letras, já escreveu e publicou mais de 90 obras em diversos gêneros, incluindo poemas, crônicas, romances, contos, literatura infantil e HQs. É autor dos projetos "O Mundo Precisa de Livros" e "Ser Um Eu Melhor". Em 2018, Eriberto fundou a EHS Edições, uma empresa focada em edição, publicação e produção de conteúdo impresso e digital. Além de atuar como editor, diagramador, ilustrador e autor, ele também é assessor literário, orientando e promovendo autores em todo o Brasil.
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