O que o trauma provoca no cérebro e no corpo, segundo a neuropsicóloga Fabiane Ferreira Pires

06/02/2026 12:25
noticia O que o trauma provoca no cérebro e no corpo, segundo a neuropsicóloga Fabiane Ferreira Pires
noticia O que o trauma provoca no cérebro e no corpo, segundo a neuropsicóloga Fabiane Ferreira Pires

O trauma psicológico costuma ser associado apenas a lembranças difíceis do passado. No entanto, a neuropsicologia clínica aponta que seus efeitos permanecem ativos no corpo e no funcionamento cerebral, mesmo após o término do evento.

Segundo a neuropsicóloga Fabiane Ferreira Pires, especialista em Neuropsicologia, Terapia Cognitivo Comportamental e EMDR, “o trauma não é o que aconteceu lá atrás; é o que ficou gravado no corpo e no cérebro hoje”.

De acordo com a profissional, quando uma pessoa passa por uma experiência emocionalmente avassaladora, o sistema nervoso pode entrar em um estado de bloqueio. “É como se o cérebro não conseguisse processar aquela informação e a guardasse em uma gaveta que nunca fecha”, explica. Por isso, sintomas como aceleração do coração, alterações no sono e ansiedade constante podem persistir, mesmo sem perigo real.

O cérebro em alerta contínuo

Em situações de estresse extremo, ocorre uma redução da atividade do córtex pré frontal, área ligada ao raciocínio e à regulação emocional, enquanto a amígdala cerebral, responsável pela resposta de ameaça, assume o controle.

Fabiane observa que, no trauma, esse mecanismo tende a permanecer ativo. “O problema é que esse alarme esquece como desliga”. Segundo ela, viver nesse estado gera exaustão emocional e a sensação permanente de que algo ruim está prestes a acontecer.

Neuroplasticidade e caminhos terapêuticos

Avanços da neuropsicologia demonstram que o cérebro mantém capacidade de adaptação ao longo da vida, fenômeno conhecido como neuroplasticidade. Com base nisso, abordagens como o EMDR atuam no reprocessamento de memórias traumáticas.

Técnicas como o EMDR ajudam o cérebro a pegar aquela memória que ficou ‘engasgada’ e finalmente processá-la”, explica a neuropsicóloga. O objetivo, segundo ela, não é apagar a vivência, mas reduzir a carga emocional associada.

Para Fabiane, superar um trauma envolve integração, não esquecimento. “Superar um trauma não é esquecer o que aconteceu, mas fazer com que o passado finalmente fique no passado”, afirma. O processo, segundo a especialista, permite que a pessoa recupere a capacidade de viver o presente sem ser refém de respostas automáticas do corpo.

Fabiane Ferreira Pires
Neuropsicóloga | Terapeuta EMDR
Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental
CRP 18/04472
Mais de oito anos de experiência clínica.

Para saber mais siga nas redes sociais: @neuropsifabianepires

Site: https://fabianepirespsi.com/

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