Neurociência: avançam descobertas sobre o cérebro autista

A cada 36 crianças nascidas, uma tem autismo, conforme dados do CDC
05/02/2026 15:33
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Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte revela que bebês com espaços perivasculares anormalmente ampliados no cérebro têm 2,2 vezes mais chances de desenvolver autismo. Esses espaços são canais que ajudam a limpar toxinas cerebrais, e seu aumento está ligado a problemas de sono.

 

A pesquisa, que examinou bebês com irmãos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), descobriu que 30% daqueles que desenvolveram autismo tinham espaços perivasculares ampliados aos 12 meses, e, quase metade, aos 24 meses. 

 

Crianças com espaços perivasculares aumentados aos dois anos têm mais distúrbios do sono na idade escolar. Com isso, os pesquisadores destacam a importância de monitorar anomalias cerebrais em bebês, a fim de identificar possíveis problemas de desenvolvimento.

 

De acordo com os dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência federal dos Estados Unidos, a cada 36 crianças nascidas, uma tem autismo. Em 2004, essa relação era um para 166 crianças. 

 

“Compreender o comportamento de crianças com autismo é fundamental para promover inclusão, aprendizado e bem-estar. É preciso saber como se comunicam, respeitar as singularidades de cada uma e oferecer suportes adequados. O avanço nos estudos científicos representam um importante ganho, inclusive quanto à convivência com a criança autista”, aponta Diretora Clínica ABA da Espaço Cel, Rafaela Prudencini. Para atender crianças e adolescentes autistas, e também suas famílias, o trabalho como clínica de autismo em Niterói mantém uma proposta interdisciplinar.

O que estudos neurocientíficos revelam sobre o cérebro autista?

Por meio de uma tecnologia de reprogramação celular, cientistas identificaram, pela primeira vez, o papel do astrócito, células responsáveis por sustentar e nutrir os neurônios, envolvidas em diversas atividades cerebrais. 

O estudo, de autoria de cientistas da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade da Califórnia, foi publicado no periódico científico Biological Psychiatry, revista oficial da Sociedade de Psiquiatria Biológica. Trata-se do primeiro artigo no mundo a analisar o papel dos astrócitos no autismo idiopático, ou seja, de causa desconhecida.

Os pesquisadores verificaram que, além dos neurônios, os astrócitos têm papel fundamental no funcionamento do sistema neuronal, sendo um elemento central para compreender o mecanismo do espectro e, assim, contribuir para o aperfeiçoamento do tratamento de maneira personalizada.

Os cientistas analisaram neurônios e astrócitos derivados de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC), obtidas a partir da polpa do dente de leite de três pacientes autistas e três sem autismo ou qualquer outro transtorno neurológico. 

 

A descoberta demonstrou que, ao tratar o astrócito, automaticamente o neurônio poderá ser recuperado. Ou seja, o astrócito com autismo influi no neurônio controle. E o contrário também é verdadeiro: o astrócito saudável recuperou de alguma forma o neurônio afetado pelo distúrbio.

 

Outro estudo sobre o tema foi divulgado em artigo publicado pela revista Medical News Today. Financiada pelo CDC, a pesquisa investiga fatores potencialmente ligados ao autismo, bem como variantes genéticas, fatores neurológicos e desequilíbrios no microbioma intestinal. 

 

A pesquisa aborda, ainda, o papel das terapias e intervenções precoces no tratamento do TEA, como aquelas que são oferecidas em clínica para autismo em São Gonçalo. A detecção precoce e as intervenções terapêuticas podem levar a melhores resultados a longo prazo.

Análise de ácidos graxos no sangue do cordão umbilical

Pesquisa divulgada pela revista científica Psychiatry and Clinical Neurosciences aponta para a descoberta de uma possível causa do autismo. Comandado por pesquisadores japoneses da Universidade de Fukui, o estudo analisou as composições de cordões umbilicais em crianças recém-nascidas, identificando uma provável conexão entre a eclosão do autismo e os níveis de ácidos graxos no sangue do cordão umbilical.

 

Foi analisada a relação entre ácidos graxos poli-insaturados (AGPI) presentes em amostras de sangue do cordão umbilical e as pontuações de autismo em 200 crianças. Durante as análises, foi descoberto um composto específico, chamado diHETrE, que parece ter, segundo a publicação, “fortes implicações” no desenvolvimento do TEA.

 

As amostras de sangue do cordão umbilical foram coletadas e armazenadas logo após o nascimento das crianças. A partir disso, os pesquisadores observaram que níveis elevados do diHETrE estavam associados a dificuldades nas interações sociais, enquanto níveis mais baixos desse composto estavam relacionados a comportamentos repetitivos e restritivos em crianças. Posteriormente, quando elas atingiram seis anos, os cientistas avaliaram os sintomas do autismo nas crianças.

 

Com base nas descobertas, os pesquisadores sugerem que medir os níveis de diHETrE durante o período fetal pode ajudar a prever a probabilidade de desenvolvimento do TEA. Eles sugerem, ainda, que a inibição do metabolismo de diHETrE durante a gestação pode ser uma estratégia de prevenção. As pesquisas seguem para confirmar as descobertas.

Exame inova o diagnóstico de autismo

Um exame recém-aprovado nos Estados Unidos utiliza o rastreamento ocular enquanto os bebês assistem a vídeos, identificando sinais de autismo em 15 minutos. Crianças entre um ano e quatro meses e dois anos e meio assistem a 14 vídeos curtos, enquanto câmeras registram a movimentação dos globos oculares. Os dados são analisados em tempo real por um sistema que identifica padrões de atenção típicos e atípicos. 

 

“As crianças neurotípicas prestam atenção nas expressões emocionais. Já as com autismo estão observando aquela portinha do carrinho abrir e fechar”, explica o neurocientista brasileiro e diretor do principal centro de tratamento de autismo dos EUA, localizado em Atlanta, Ami Klin. 

 

A tecnologia, que foi desenvolvida com a participação do neurocientista brasileiro, está em uso em 47 centros especializados dos EUA. Cerca de 5,8 mil crianças são avaliadas por ano. O equipamento custa cerca de US$ 7 mil, e cada exame sai por US$ 225. Ainda não há previsão para a chegada da tecnologia ao Brasil, o que depende da aprovação dos órgãos regulatórios nacionais.

 

“É preciso destacar que, com o apoio certo, todas as crianças com autismo têm potencial para se desenvolver, aprender e viver com qualidade de vida”, destaca a Diretora Clínica ABA na clínica Espaço Ce, Rafaela Prudencini, 

Sinais do TEA em meninos e meninas

Pesquisadores da Universidade da Califórnia investigaram se os sinais de autismo se manifestam de forma diferente entre meninos e meninas. Eles analisaram dados de testes de autismo feitos por crianças em 27 locais diferentes, considerando idade, QI e nível de linguagem.

 

Descobriram que, em geral, não há muita diferença nos sintomas entre meninos e meninas, embora eles apresentem pontuações um pouco mais altas em comportamentos repetitivos e restritos. 

 

Por outro lado, as meninas mostraram ter pontuações mais altas em certos aspectos sociais na adolescência. Embora existam diferenças pequenas, elas não são tão significativas a ponto de exigir testes de autismo diferentes para cada gênero.

Acompanhamento da infância à fase adulta

O estudo do Departamento de Psiquiatria Infantil e Adolescente de Londres acompanhou pessoas com TEA desde a infância até a idade adulta inicial, avaliando suas habilidades cognitivas e sintomas de autismo aos 12, 16 e 23 anos.

 

Dos 158 participantes aos 12 anos, 126 foram reavaliados aos 23 anos. Descobriu-se que o QI aumentou ao longo do tempo, mas os sintomas de autismo permaneceram estáveis.

 

O tipo de escola e o nível inicial de linguagem previram o QI, com aqueles com regressão na linguagem mostrando maiores ganhos. Além disso, os jovens em escolas regulares exibiram menos sintomas de autismo aos 23 anos do que aqueles em ambientes especializados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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