Gestão financeira como instrumento de crescimento sustentável para pequenas empresas
Felipe Kanamura explica por que acompanhar o caixa, conhecer as margens e planejar os compromissos faz parte da capacidade de uma empresa crescer.
Colunista: Leonardo Almeida
Vender mais pode ampliar as possibilidades de uma empresa, mas também aumenta os compromissos que ela precisa administrar. Para Felipe Kanamura, o crescimento ganha consistência quando o empresário compreende quanto cada venda deixa no negócio, quando o dinheiro estará disponível e quais despesas precisarão ser pagas até esse recebimento.
Essa visão orienta a análise do administrador e empresário, que reúne quase dez anos de experiência bancária e atuação na gestão dos próprios empreendimentos. Ao relacionar as duas vivências, Kanamura considera que o acompanhamento financeiro precisa participar das escolhas sobre expansão, contratação e investimento, oferecendo informações para avaliar o que a empresa consegue sustentar.
Uma das primeiras distinções está na leitura das vendas e dos recebimentos. Em suas orientações sobre gestão empresarial, a Small Business Administration, agência norte-americana de apoio às pequenas empresas, explica a diferença entre registrar uma venda quando ela ocorre e registrar a entrada do pagamento, o que ajuda a compreender por que uma operação comercial pode aparecer nos resultados antes de se transformar em dinheiro disponível.
“Às vezes, o empresário olha o volume vendido e entende que pode assumir uma nova despesa, mas parte daquele dinheiro ainda vai entrar. Antes de se comprometer, ele precisa saber o que vence nesse intervalo e como vai pagar”, explica Kanamura.
É nesse espaço entre pagar e receber que o planejamento do capital de giro se torna relevante. Uma empresa que aumenta os pedidos pode precisar comprar mais materiais ou ampliar estoques antes de receber dos clientes, exigindo recursos para manter a operação durante esse período.
Para o administrador, acompanhar esse movimento permite discutir alternativas antes que o compromisso se transforme em urgência. Sua recomendação é relacionar as datas previstas de recebimento aos vencimentos das obrigações, avaliando como uma compra, contratação ou investimento interfere no dinheiro necessário às atividades que já estão em andamento.
A organização desses controles também aparece nas orientações da Small Business Administration, que recomenda acompanhar contas a receber, contas a pagar, disponibilidade de caixa e conciliação bancária. A instituição inclui a avaliação de custos e benefícios entre os instrumentos que ajudam a fundamentar decisões empresariais.
Kanamura destaca que os registros precisam ser usados na gestão, com revisões que permitam comparar o que estava previsto com o que efetivamente aconteceu. Um recebimento adiado, uma despesa acima do esperado ou uma mudança no custo de um fornecedor podem alterar as condições consideradas no planejamento inicial.
“Não basta preencher uma planilha e olhar só quando falta dinheiro. O controle precisa ajudar a perceber o que mudou e o que isso exige da empresa, enquanto ainda há tempo para ajustar”, afirma.
Outro ponto está na margem das vendas, especialmente quando o crescimento vem acompanhado de descontos ou de custos adicionais para atender mais clientes. Na avaliação do empresário, observar apenas o aumento da receita pode esconder uma redução no valor que permanece disponível para cobrir a estrutura e remunerar o negócio.
A preparação financeira também antecede a busca por recursos externos. No conteúdo “5 passos para conseguir créditos para o seu negócio”, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, apresenta a organização financeira como uma etapa para o empreendedor ganhar clareza sobre o negócio antes de buscar financiamento.
Na comparação entre propostas, o Banco Central do Brasil explica, no episódio “Entenda o que é CET: Custo Efetivo Total”, da série BC te Explica, que esse indicador considera os juros e outros custos incidentes sobre a operação. A informação amplia a análise para além da taxa anunciada e ajuda a comparar as condições oferecidas.
Para Kanamura, essa comparação precisa estar ligada à finalidade do empréstimo e à capacidade de pagamento da empresa, considerando como as parcelas se encaixam nas projeções e o que acontece se o retorno esperado demorar.
“O crédito pode ajudar a realizar um investimento, mas precisa haver clareza sobre como será pago. Se a conta só fecha quando tudo acontece exatamente como o previsto, vale rever o compromisso antes de assumir”, observa.
Crescer de forma sustentável, nessa perspectiva, significa ampliar a atividade preservando as condições de manter a empresa funcionando. A gestão financeira contribui para isso ao conectar os objetivos do negócio aos recursos necessários para realizá-los, permitindo que cada nova etapa seja acompanhada por uma avaliação de seus custos, prazos e efeitos sobre a operação.
Escrito por: Fernando Junior
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