Laudo de vistoria de imóvel: o que precisa constar para você não perder dinheiro na devolução

Saiba o que colocar no laudo de vistoria de imóvel, como fotografar, como diferenciar desgaste natural de dano e evitar prejuízo na devolução.
06/10/2026 20:34
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Laudo de vistoria de imóvel é o documento que registra, com descrição e fotos, o estado de conservação de cada cômodo e item no momento da entrega das chaves. Ele serve de base para comparar o imóvel na devolução e decidir quem paga cada reparo.

Um laudo de vistoria de imóvel completo precisa ter identificação das partes e do endereço, data, descrição de cada cômodo item por item, fotos datadas de visão geral e de detalhe, leitura dos medidores, lista de chaves e a assinatura do proprietário e do inquilino. Sem esses elementos, a comparação na saída vira palavra contra palavra.

O laudo de vistoria de imóvel é obrigatório por lei?

A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991), no artigo 22, inciso V, obriga o locador a fornecer uma descrição minuciosa do estado do imóvel, com referência expressa aos defeitos existentes, caso o inquilino solicite. Ou seja, o documento só é exigido por lei quando pedido.

Na prática, porém, ele é indispensável. O artigo 23, inciso III, da mesma lei determina que o inquilino devolva o imóvel no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações do uso normal. Sem um registro da entrada, não há como provar qual era esse estado.

Imagine um proprietário que aluga um apartamento recém-pintado e, três anos depois, recebe as paredes manchadas e com furos. Sem fotos datadas da entrada, o inquilino pode alegar que já estava assim, e o custo da pintura fica com o dono.

O que deve constar no termo de vistoria, cômodo por cômodo?

O termo de vistoria funciona melhor quando segue a mesma ordem em todos os imóveis. Isso facilita a comparação na saída e evita esquecer itens.

Ambiente

Itens que precisam ser descritos

Todos os cômodos

Paredes, teto, pintura, piso, rodapé, portas, fechaduras, janelas, vidros, tomadas, interruptores e luminárias

Cozinha

Pia, torneira, armários, bancada, sifão, ralo e pontos de gás

Banheiros

Vaso sanitário, descarga, box, chuveiro, registros, azulejos, rejunte e espelho

Área de serviço

Tanque, torneiras, ralos e ponto da máquina de lavar

Externo

Portões, interfone, grades, garagem e jardim, quando houver

Geral

Leitura dos medidores de água, luz e gás, quantidade de chaves e controles e itens de mobília

 

Para cada item, registre o estado com termos objetivos: novo, em bom estado com marcas leves, com defeito. Quando houver defeito, descreva exatamente qual é e onde está.

Como fotografar a vistoria de imóvel do jeito certo?

As fotos são a parte mais valiosa do laudo de vistoria de imóvel, desde que tiradas com método. Siga esta sequência em cada ambiente:

  • Uma foto geral de cada parede, tirada do canto oposto do cômodo
  • Uma foto de detalhe para cada defeito encontrado, com algo que dê noção de tamanho ao lado
  • Fotos de piso e teto, que costumam ser esquecidas
  • Um vídeo curto percorrendo o imóvel, como complemento

O que dá valor às fotos é a data registrada no arquivo e o vínculo com o documento assinado. Fotos soltas no celular, sem referência ao laudo, têm peso muito menor numa discussão.

Qual a diferença entre desgaste natural e dano no imóvel?

Esse é o ponto que mais gera conflito na devolução. A lei protege o inquilino do desgaste natural do imóvel, que é o envelhecimento esperado pelo uso normal. Dano é tudo o que vai além disso.

Situação

Desgaste natural (proprietário arca)

Dano (inquilino arca)

Pintura

Desbotamento e sujeira leve pelo tempo

Manchas, rabiscos, furos ou cor trocada sem autorização

Piso

Brilho reduzido pelo uso

Lascas, riscos profundos ou peças quebradas

Portas e fechaduras

Folga leve nas dobradiças

Porta empenada por água ou fechadura arrombada

Instalações

Resistência de chuveiro queimada pelo uso

Tomada derretida por sobrecarga ou fiação alterada

Vidros

Nenhum caso típico

Vidros trincados ou quebrados

 

Quanto mais detalhado o laudo de entrada, mais fácil fica separar os dois casos. Um laudo vago transforma quase tudo em desgaste natural.

Como fazer a vistoria de entrada e saída sem conflito?

A vistoria de entrada e saída deve usar o mesmo roteiro e, de preferência, os mesmos ângulos de foto. Assim, a comparação é direta: o que mudou aparece lado a lado.

Na entrada, é comum o contrato dar ao inquilino um prazo curto, como dez dias, para apontar vícios ocultos que não foram percebidos na visita. Registre essas observações como anexo do laudo, assinado pelas duas partes.

Na saída, faça a vistoria com o inquilino presente e antes de devolver a caução. Se houver danos, apresente o orçamento de reparo com base na comparação de fotos. Isso torna a cobrança objetiva e reduz a chance de briga.

O que muda na vistoria de imóvel mobiliado?

Em imóveis mobiliados ou semimobiliados, o laudo precisa de uma seção própria para os móveis e eletrodomésticos. Cada peça deve ser listada com marca, cor e estado de conservação, além de foto individual.

Para eletrodomésticos, registre também se estão funcionando no momento da entrega. Geladeira, fogão, máquina de lavar e ar-condicionado devem ser ligados durante a vistoria, com um vídeo curto como prova.

Itens pequenos costumam sumir sem que ninguém perceba: controles remotos, utensílios de cozinha, cortinas, chuveirinho e lâmpadas. Uma lista simples com a quantidade de cada um evita a discussão na saída.

A regra dos 3F: foto, fala e firma

Para não esquecer nada, use um método simples que resume o que torna um laudo de vistoria de imóvel defensável:

  • Foto: cada item descrito tem imagem datada, geral e de detalhe
  • Fala: cada foto acompanha uma descrição objetiva, sem expressões vagas como "bom estado"
  • Firma: proprietário e inquilino assinam o documento, inclusive os anexos com observações posteriores

Se um dos três faltar, o laudo perde força. Foto sem descrição gera dúvida, descrição sem foto vira opinião e documento sem assinatura não comprova que o inquilino concordou.

Quais erros mais comuns invalidam um laudo de vistoria?

Alguns deslizes aparecem com frequência e enfraquecem o documento:

  • Usar termos genéricos como "imóvel em ótimo estado", sem detalhar
  • Não registrar a leitura dos medidores e a quantidade de chaves
  • Fazer a vistoria de saída dias depois da entrega das chaves, quando o imóvel já pode ter sido mexido
  • Deixar de colher a assinatura do inquilino
  • Guardar o laudo apenas em papel, sujeito a perda

"Na devolução, o proprietário que tem fotos datadas e assinatura resolve em uma conversa. O que não tem acaba aceitando o prejuízo ou indo para a Justiça. A vistoria é meia hora de trabalho que evita meses de discussão", diz Lucas Rodrigues, fundador da Pilota Imóveis.

Como fazer o laudo de vistoria pelo celular?

Hoje não é preciso contratar um perito para cada imóvel. Ferramentas de laudo de vistoria digital guiam o proprietário por um checklist de cômodos, salvam cada foto com data e hora e coletam a assinatura do inquilino no próprio celular.

Na Pilota Imóveis, por exemplo, o laudo fica vinculado à locação e permite comparar entrada e saída lado a lado. Quando o laudo é anexado ao contrato de locação digital, o inquilino assina os dois documentos no mesmo fluxo, sem papel e sem cartório.

Perguntas frequentes sobre laudo de vistoria de imóvel

Quem paga a vistoria do imóvel alugado?

A lei não define quem paga. Como o laudo de entrada protege principalmente o patrimônio do locador, é comum que ele arque com o custo. Quando o próprio proprietário faz a vistoria com uma ferramenta digital, o custo se resume ao tempo gasto, em geral menos de uma hora por imóvel.

Vistoria feita pelo próprio proprietário tem validade?

Tem. A lei não exige perito ou profissional habilitado para o laudo de vistoria. O que dá validade é a descrição detalhada, as fotos datadas e a assinatura do inquilino concordando com o conteúdo. Assinatura eletrônica também é aceita.

O inquilino pode se recusar a assinar o laudo?

Pode, mas isso não impede a locação de seguir. Nesse caso, registre a recusa, envie o laudo por um meio que comprove o recebimento, como e-mail, e dê prazo para o inquilino apontar discordâncias por escrito. Isso preserva o valor do documento.

O que acontece se não houver laudo de vistoria na entrada?

Sem laudo de entrada, fica difícil provar que um dano surgiu durante a locação. Na dúvida, a tendência é tratar o desgaste como natural. O proprietário perde a base para cobrar reparos ou reter a caução.

Posso descontar os reparos da caução?

Pode, desde que os danos estejam comprovados pela comparação entre a vistoria de entrada e saída e acompanhados de orçamento. O desconto sem comprovação pode ser contestado pelo inquilino, que tem direito à devolução da caução com os rendimentos da poupança.

De quanto em quanto tempo atualizar o laudo?

O laudo de entrada vale por toda a locação. Mesmo assim, uma vistoria intermediária, feita com aviso prévio ao inquilino, ajuda em contratos longos ou quando há reforma. Ela registra mudanças e evita surpresas na saída.

 

SOBRE O AUTOR

Lucas Rodrigues é fundador da Pilota Imóveis, plataforma de gestão de aluguéis usada por proprietários e administradores de 1 a 1.000 imóveis. A empresa automatiza cobrança, contratos, vistorias e análise de inquilino para quem prefere manter o controle da própria carteira sem depender de processos manuais.

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