Tina Werneck

Dona de longa trajetória na música, Tina Werneck lança o álbum ‘Cheguei Tinindo’.
25/09/2026 18:36
noticia Tina Werneck
noticia Tina Werneck

Com toda sua variada vivência musical, Tina Werneck lança seu primeiro álbum solo ‘Cheguei Tinindo’, com 12 faixas, nas plataformas digitais dia 05 de agosto com distribuição do selo Curruíra.

A frase Cheguei Tinindo está presente no samba ‘O Amor vai Chegar’, que encerra o disco (disco, pois ela é muito vintage).

Imaginar é mover-se e deixar-se levar num grande risco do que ainda é informe e está em plena mutação. 

“Trata-se do gerúndio do verbo ser - sendo: quando falo e escuto ao mesmo tempo, quando toco, canto e coloco as palavras, enquanto dou conta da vida prática, trabalho, casa, filhos.  Eu vou compondo sem visualizar os contornos do que faço, em plena vitalidade e entrega, recebendo as dádivas da música”, explica Tina Werneck.

Agora, depois de cinco anos do lançamento da primeira canção em formato de single, está com um álbum completo pronto para oferecer de mãos cheias aos vossos ouvidos e corações e finalmente poder visualizar um contorno em toda essa história.

Tina tem 57 anos e uma longa vivência com a música: violão clássico, viola de orquestra, canto coral, rock progressivo, os mineiros, o choro, Tom Jobim, Pat Metheny com Naná Vasconcelos, aulas de arranjo, improvisação, grupos e orquestra sinfônica. Seus fundamentos, fundamentais. De repente, mutatis mutandis, depois de muito ser instrumentista de arco, voltou ao seu violão na reclusão pandêmica de 2020 e pronto: nasceu com força e presença a compositora de canções.

Vieram muitas canções, como um poço farto que vinha se acumulando no lençol freático das águas embebidas na sua terra/corpo. De uma terra fértil cresceram árvores coloridas e fortes, muito femininas. 

 O primeiro single lançado em final de 2020! São cinco anos de um grande investimento de tempo, amor, criatividade e grana, numa grande movimentação para fechar o álbum.

Tina chegou tinindo, usando todos os seus recursos criativos, toda a sua vivência musical ao longo da sua vida, que veio à tona de forma impositiva com a criação de canções depois dos seus 50 anos, que a fizeram estudar canto, fazer shows, se expor no palco. Fizeram Tina crescer com inúmeros desafios.

São 12 músicas, cinco inéditas e sete já lançadas, todas autorais, compostas durante esses cinco anos emblemáticos do nosso tempo, com pandemia e uma extrema falta de humanidade no mundo. As músicas falam em sua maioria da construção de um auto amor muito profundo, ligado ao empoderamento feminino, à permissão de uma vida plena de realizações. Falam do amor em vários níveis: do amor romântico, do autoamor, autoestima, do amor pela Vida no planeta.

É um disco afetuoso, de sonoridade grande, que conta com a produção do grande músico, compositor e artista Guilherme Gê, aquele que condensa um conhecimento técnico e uma experiência de décadas de produção, mais a habilidade de tocar vários instrumentos e cantar lindamente. Além disso, ele trouxe ao álbum muita qualidade artística com os músicos Claudio Infante na bateria (Teresa e Januário, Coisas Incríveis e Coisa Feita) e Marcos Suzano na percussão (Quero Voar, Orbitando em Você e O Amor vai Chegar). Contou também com um jovem músico maravilhoso, o filho da artista Miguel Werneck, que emprestou seu talento nas guitarras (Eu Deixo e Coisa Feita) e com o mago dos sopros Carlos Malta (O Amor vai Chegar). Além desses músicos incríveis, contou com as participações ilustres e afetuosas da maravilhosa cantora Leila Pinheiro, e da Muiza Adnet, que vem a ser sua professora de canto.

Contou também, por que não dizer, com o seu talento como violista e violonista. Todos os violões foram gravados por Tina e, como atua como violista da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, deixou registrado o seu instrumento de trabalho - a viola - seu ganha pão, nas faixas Teresa e Januário, onde fez um grande solo,  em Água, onde gravou o lindo arranjo do Guilherme Gê para 4 vozes de viola, tem também na introdução de Eu Deixo, um arranjo de Tina para 3 violas e, por fim, uma música toda dedicada à viola, Egípcio,  que faz menção ao momento instrumental de Eu Deixo. Desdobramentos de uma música dentro de outra música, como acontecia nos discos icônicos de Milton Nascimento, por exemplo.

Falando das suas influências, as mais diretas e óbvias é o álbum Fragile do Yes. Ela ama tanto essa banda e esse álbum que foi inevitável homenageá-lo em dois momentos: na introdução de Quero Voar e na introdução de Zambizo. Homenagem que é óbvia, mas que ao mesmo tempo, mostra o quanto as inspirações nos movem na composição, começando por um caminho e nos levando a outros lugares cujas subjetividades jamais poderemos definir, apenas é mister nos deixar levar e aceitar.

Além do Yes e outras bandas de rock progressivo, ela tem no coração os quatro primeiros álbuns do Beto Guedes. Milton Nascimento e Chico Buarque que ouve desde criança, Secos e Molhados, mais tarde vieram Pat Metheny, depois Tom Jobim. A música clássica entrou na sua vida através do canto coral, do violão erudito que estudou por alguns anos, aí chegando Villa Lobos e João Pernambuco, ao mesmo tempo Bach, que a levou a querer estudar viola de orquestra e se profissionalizar neste instrumento. Ela entrou para a sinfônica mas sua vontade de abarcar tudo não deixou Tina quieta e, com a viola estudou arranjo, improvisação, fez escola portátil de choro e oficina de música universal da escola de Itiberê Zwarg, estudou com inúmeros músicos de ponta da música brasileira: Cristóvão Bastos e Leandro Braga, por exemplo.

Toda essa vivência trouxe Tina até aqui. A partir de 2019 começou o improvável até então: compor canções no violão, com letra e música. Fazer letra foi uma imensa novidade, uma capacidade que veio como um desafio lúdico e que deu muito certo para ela. “Amo literatura e meus dois autores preferidos estão presentes nas letras: em Teresa e Januário está o romance de Jorge Amado “Teresa Batista cansada de guerra” e em Sete Cores do meu Céu está Guimarães Rosa, com a novela “Dão Dalalão”, conta Tina. 

Todas as letras do álbum são de Tina e músicas também, exceto Eu Deixo, que fez em parceria com a amiga e compositora Germana Guilhermme.

 

Da redação Studio News no Japão  Marco Fukuyama

ÚLTIMAS NOTÍCIAS UOL