MEI alcança recorde histórico e fortalece a economia de Minas Gerais
Minas é o segundo estado com mais MEIs do país e amplia protagonismo dos pequenos empreendedores
Criado em 2008 para incentivar a formalização de trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, o programa do Microempreendedor Individual (MEI) consolidou-se como uma das mais importantes políticas públicas voltadas ao empreendedorismo no Brasil. Em pouco mais de 17 anos, o número de registros saltou de 43,6 mil, em 2009, para mais de 17 milhões de microempreendedores ativos em 2026, evidenciando o papel do programa na geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento dos pequenos negócios. Os dados fazem parte do estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, com base em informações do Portal do Empreendedor, Receita Federal e pesquisas sobre o tema.
Minas Gerais ocupa posição de destaque nesse cenário. O estado reúne 1.852.470 Microempreendedores Individuais ativos e aparece como o segundo maior do país em número absoluto de registros , atrás apenas de São Paulo. Quando analisada a quantidade de Microempreendedores Individuais em relação ao tamanho da população, Minas Gerais ocupa a nona posição nacional, com 86,6 MEIs para cada mil habitantes (8,66%), demonstrando a ampla presença desse modelo de negócio em praticamente todo o território mineiro. O ranking é liderado por Santa Catarina, que registra 106,1 MEIs por mil habitantes (10,61%), seguida por Rio de Janeiro (104,8), São Paulo (103,5), Espírito Santo (100,3), Paraná (94,4), Rio Grande do Sul (92,8), Distrito Federal (91,8) e Goiás (87,4). O indicador demonstra que essas unidades da federação apresentam maior densidade de empreendedores formalizados, reflexo de economias diversificadas, forte presença dos setores de comércio e serviços e elevada cultura empreendedora.
|
Posição |
Unidade da Federação |
MEI por mil habitantes |
Proporção MEI |
|
1 |
Santa Catarina |
106,1 |
10,61% |
|
2 |
Rio de Janeiro |
104,8 |
10,48% |
|
3 |
São Paulo |
103,5 |
10,35% |
|
4 |
Espírito Santo |
100,3 |
10,03% |
|
5 |
Paraná |
94,4 |
9,44% |
|
6 |
Rio Grande do Sul |
92,8 |
9,28% |
|
7 |
Distrito Federal |
91,8 |
9,18% |
|
8 |
Goiás |
87,4 |
8,74% |
|
9 |
Minas Gerais |
86,6 |
8,66% |
|
10 |
Mato Grosso |
83,8 |
8,38% |
|
11 |
Mato Grosso do Sul |
80,9 |
8,09% |
|
12 |
Tocantins |
68,2 |
6,82% |
|
13 |
Rondônia |
60,2 |
6,02% |
|
14 |
Rio Grande do Norte |
57,6 |
5,76% |
|
15 |
Bahia |
57,5 |
5,75% |
|
16 |
Pernambuco |
54,5 |
5,45% |
|
17 |
Paraíba |
53,5 |
5,35% |
|
18 |
Ceará |
52,0 |
5,20% |
|
19 |
Alagoas |
49,4 |
4,94% |
|
20 |
Sergipe |
49,4 |
4,94% |
|
21 |
Roraima |
43,0 |
4,30% |
|
22 |
Amazonas |
42,9 |
4,29% |
|
23 |
Pará |
39,6 |
3,96% |
|
24 |
Piauí |
38,1 |
3,81% |
|
25 |
Amapá |
36,2 |
3,62% |
|
26 |
Acre |
34,8 |
3,48% |
|
27 |
Maranhão |
28,2 |
2,82% |
A capilaridade do programa é expressiva. Os 853 municípios mineiros possuem registros ativos de MEIs, reforçando o alcance da política de formalização em diferentes regiões do estado. Belo Horizonte lidera o ranking estadual com 296.169 microempreendedores formalizados, seguida por Uberlândia (88.200), Contagem (77.398), Juiz de Fora (59.136), Betim (46.678) e Montes Claros (37.995), municípios que concentram parte significativa da atividade empreendedora mineira.
|
Posição |
Município |
Total Optantes |
|
1 |
BELO HORIZONTE |
296.169 |
|
2 |
UBERLANDIA |
88.200 |
|
3 |
CONTAGEM |
77.398 |
|
4 |
JUIZ DE FORA |
59.136 |
|
5 |
BETIM |
46.678 |
|
6 |
MONTES CLAROS |
37.995 |
|
7 |
RIBEIRAO DAS NEVES |
35.254 |
|
8 |
DIVINOPOLIS |
30.902 |
|
9 |
UBERABA |
29.967 |
|
10 |
GOVERNADOR VALADARES |
29.523 |
|
11 |
IPATINGA |
25.361 |
|
12 |
SANTA LUZIA |
24.206 |
|
13 |
SETE LAGOAS |
23.271 |
|
14 |
NOVA SERRANA |
19.994 |
|
15 |
IBIRITE |
18.961 |
|
16 |
POCOS DE CALDAS |
18.147 |
|
17 |
PATOS DE MINAS |
16.238 |
|
18 |
POUSO ALEGRE |
15.019 |
|
19 |
VARGINHA |
13.903 |
|
20 |
VESPASIANO |
13.826 |
Fonte: Portal do Empreendedor | Elaboração: Núcleo Estudos Econômicas da Fecomércio MG
O levantamento também mostra que o empreendedorismo formal permanece fortemente ligado ao setor terciário. Em Minas Gerais, 54,4% dos MEIs atuam no segmento de serviços e outros 23,7% desenvolvem atividades ligadas ao comércio, evidenciando a importância desses setores para a geração de emprego, renda e dinamização da economia local. Indústria (10,8%), construção civil (10,3%) e agropecuária (0,8%) completam a distribuição. "O crescimento do número de MEIs demonstra que o empreendedorismo continua sendo uma importante alternativa de geração de renda e inclusão econômica. O programa permitiu que milhões de trabalhadores saíssem da informalidade, passassem a ter acesso à proteção previdenciária e conquistassem melhores condições para desenvolver seus negócios", destaca o economista da Fecomércio MG, Henrique Braga.
O perfil dos microempreendedores também revela tendências importantes. Em Minas Gerais, os homens representam 56% dos registros e as mulheres, 44%. Entre elas, predominam atividades ligadas aos segmentos de beleza, comércio de vestuário, alimentação e promoção de vendas. Já entre os homens destacam-se serviços de construção civil, transporte de cargas, transporte de passageiros e promoção de vendas.
A maior concentração de empreendedores está na faixa entre 31 e 40 anos (27,8%), seguida pelas idades de 41 a 50 anos (24,4%) e de 21 a 30 anos (20,1%). O estudo indica que o programa se consolidou principalmente entre pessoas em plena idade produtiva, que buscam empreender, complementar renda ou desenvolver atividades autônomas de forma regularizada.
Outra característica observada é a predominância dos estabelecimentos físicos. Cerca de 36,9% dos MEIs mineiros atuam em endereço fixo, enquanto 22,9% trabalham de forma itinerante, porta a porta ou em postos móveis. A internet aparece como o terceiro principal canal de atuação, utilizada por 18,5% dos empreendedores, confirmando a crescente digitalização dos pequenos negócios. Para Braga, a expansão do programa também reflete mudanças no mercado de trabalho e na forma como os brasileiros constroem sua renda.
|
Forma Atuação |
% em relação à UF |
|
Estabelecimento fixo |
36,94% |
|
Porta a Porta, postos móveis ou por ambulantes |
22,93% |
|
Internet |
18,54% |
|
Em local fixo, fora da loja |
11,34% |
|
Televendas |
6,04% |
|
Correios |
3,06% |
|
Máquinas automáticas |
1,16% |
Fonte: Portal do Empreendedor | Elaboração: Núcleo Estudos Econômicas da Fecomércio MG
O levantamento também evidencia a diversidade do empreendedorismo em Minas Gerais. Embora 99,75% dos microempreendedores individuais sejam brasileiros, o estado reúne empreendedores de diversas nacionalidades. Entre os estrangeiros, destacam-se os colombianos, que representam 22,43% desse grupo, seguidos pelos venezuelanos (19,45%), portugueses (5,91%), bolivianos (5,46%) e haitianos (5,37%). A presença desses empreendedores demonstra que o programa também tem contribuído para a inclusão produtiva de imigrantes, ampliando sua participação na economia mineira e fortalecendo a diversidade do ambiente de negócios.
|
Nacionalidade |
Nº. MEI |
N° MEI (%) |
|
COLOMBIANA |
1.048 |
22,43% |
|
VENEZUELANA |
909 |
19,45% |
|
PORTUGUESA |
276 |
5,91% |
|
BOLIVIANA |
255 |
5,46% |
|
HAITIANA |
251 |
5,37% |
|
ARGENTINA |
222 |
4,75% |
|
CUBANA |
140 |
3,00% |
|
PERUANA |
125 |
2,67% |
|
CHILENA |
120 |
2,57% |
|
NORTE-AMERICANA |
115 |
2,46% |
Fonte: Portal do Empreendedor | Elaboração: Núcleo Estudos Econômicas da Fecomércio MG
"O MEI estimula o empreendedorismo, amplia a arrecadação, fortalece o comércio e os serviços e cria oportunidades em praticamente todos os municípios do estado. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de políticas permanentes de capacitação, acesso ao crédito e incentivo à inovação", destaca o economista. Embora os resultados sejam positivos, o levantamento chama atenção para desafios importantes. Um deles é a sustentabilidade do programa. Estudos apontam que apenas cerca de 38% dos microempreendedores mantêm suas contribuições previdenciárias em dia, cenário que exige maior conscientização sobre a importância da regularidade fiscal e previdenciária. Outro ponto é o aperfeiçoamento das políticas públicas para ampliar a qualificação profissional, facilitar o acesso ao crédito e fortalecer a gestão dos pequenos negócios. "O fortalecimento do MEI passa pela educação empreendedora. Quanto maior o acesso à informação, gestão financeira e inovação, maiores são as chances de crescimento desses negócios, de geração de empregos e de desenvolvimento econômico regional", afirma Braga.
O estudo conclui que o Microempreendedor Individual permanece como um dos principais instrumentos de formalização da economia brasileira, contribuindo para reduzir a informalidade, ampliar a produtividade e fortalecer principalmente os segmentos de comércio e serviços, responsáveis pela maior parte da atividade econômica do país.
O estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG teve como base, dados do Portal do Empreendedor e da Receita Federal, de junho de 2026, além das pesquisas "O impacto do programa Microempreendedor Individual no mercado de trabalho brasileiro", de Ely e Uhr (2019), e "Análise do MEI: Evolução, características socioeconômicas e sustentabilidade fiscal", de Veloso, Barbosa Filho e Peruchetti (2023). As análises também utilizam informações do IBGE e do Caged.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.
Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.
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