CPF na dark web? Como saber se teve seus dados vazados
Criminosos põem à venda milhões de dados sensíveis de brasileiros. Entenda como se proteger
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Ter documentos vazados é um medo constante que os usuários de internet enfrentam sempre que vão preencher um formulário, uma inscrição ou fazer compras online. Um escândalo recente expôs a vulnerabilidade dos bancos de dados, dando ainda mais margem a esse problema.
O que aconteceu com os dados dos brasileiros em 2026
Um suposto vazamento de 251 milhões de CPFs foi denunciado em abril de 2026: o banco de dados teria sido posto à venda por US$ 500. A denúncia partiu da plataforma Vecert Threat Intelligence, que identificou um agente ou grupo chamado "Buddha" como responsável por ter acessado os dados no portal Gov.br. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), no entanto, afirmou que não há registro de invasões ou vazamentos no site. Em 2021, um caso parecido aconteceu, quando mais de 223 milhões de números de CPF foram expostos em um mega vazamento atribuído à Serasa Experian.
A principal suspeita é que criminosos usem os dados dos cidadãos para aplicar fraudes digitais: com número de CPF, nome completo, data de nascimento, filiação, entre outros dados, é possível se passar por praticamente qualquer pessoa. Logins, senhas e dados bancários também correm o mesmo risco.
Como descobrir se seu CPF foi usado indevidamente
Existem diversas maneiras de descobrir se algum dado foi vazado. Ferramentas especializadas em monitoramento de CPF fazem varreduras para verificar se suas informações aparecem em vazamentos conhecidos, alertando o titular para que tome providências antes que o problema se agrave.
O Governo tem apertado o cerco contra fraudes e vazamentos. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) tem se tornado cada vez mais rigorosa. Muitas empresas foram multadas devido à falta de segurança em seu tratamento de dados.
O cidadão prejudicado pode recorrer à Justiça com o amparo da LGPD caso tenha sido vítima do vazamento de algum de seus dados por parte de uma empresa. Se comprovado o dano tanto moral quanto material, a vítima tem direito à indenização após uma decisão judicial favorável.
Além disso, a lei garante que o cidadão seja avisado quando algum dado seu tenha sido exposto e que tais dados vazados sejam excluídos, além de outras medidas necessárias. Uma vez que algo do tipo tenha acontecido, é fundamental tomar algumas atitudes.
Como se proteger de vazamentos
A primeira é habilitar a autenticação de dois fatores. A 2FA (autenticação de dois fatores) envia um código para algum dispositivo da pessoa sempre que houver uma tentativa de login em alguma conta. O código pode chegar tanto via SMS, e-mail ou WhatsApp, ou mesmo ser uma autenticação por meio de biometria. Essa camada extra é uma das mais importantes e seguras.
Outra medida é trocar a senha da conta que foi exposta ou que corre perigo. É importante que a senha possua caracteres diferentes, como maiúsculas e minúsculas, além de caracteres especiais. Senhas complexas dificultam a ação de golpistas.
Além disso, é imprescindível estar atento a contas bancárias e faturas do cartão. Qualquer transação desconhecida deve ser imediatamente informada ao banco. É desejável também fazer um boletim de ocorrência para se resguardar contra outros golpes futuros praticados com essas informações.
O Banco Central lançou em dezembro de 2025 o BC Protege+, serviço gratuito que permite bloquear preventivamente a abertura de contas bancárias em nome do cidadão. Quando a proteção está ativa, a instituição financeira não consegue dar continuidade à abertura da conta ou à inclusão e alteração de titulares e representantes. Isso evita a abertura de contas usando uma identidade falsa ou dados de pessoas físicas e jurídicas de forma criminosa.
Ou seja, o cidadão que ativa essa proteção informa que não deseja que contas sejam abertas no seu nome, incluindo contas nas quais seja declarado como titular ou representante. Por ora, a aplicação só se aplica em depósitos à vista, contas de depósitos de poupança e contas de pagamento pré-pagas.
Por fim, todo cuidado é pouco quando se trata de dados pessoais. Senhas fortes, não clicar em links suspeitos, autenticação de dois fatores são ferramentas que estão à mão para navegar com mais segurança. Consultar regularmente o extrato do banco e consultar o CPF nos órgãos responsáveis também ajuda a se manter em dia com a segurança.
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