Da boneca de pano ao bebê reborn: a evolução de brincar de boneca
De arte manual à produção industrial, as bonecas continuam encantando gerações
Créditos: istock/
Para muitas pessoas, brincar de boneca foi a melhor parte da infância. Seja numa brincadeira de dar banho, comida ou carinho ou até mesmo na criação de universos fantásticos, esses momentos ajudavam a estimular a imaginação e a criatividade.
Além de uma forma de diversão, brincar de boneca tem um impacto significativo no desenvolvimento da criança. Por meio dessa brincadeira, ela aprende e desenvolve habilidades sociais, valores e até como lidar com emoções, sendo um momento fundamental desta fase.
Ao longo dos séculos, a boneca se consolidou como uma fiel escudeira das crianças, adquirindo diferentes formas com o passar do tempo. De bonecas de barro, madeira e pano aos bebês reborns, a brincadeira segue sendo uma das mais divertidas e ricas para os pequenos e até para os adultos.
Do pano e da espiga: quando a boneca era feita em casa
A boneca acompanha o ser humano desde o surgimento das primeiras sociedades. As primeiras bonecas conhecidas são datadas de 2500 a.C., no Egito Antigo. Feitas de madeira, osso, cera, marfim e até porcelana, elas já alegravam a vida de milhares de crianças.
Em outros lugares do planeta, o brinquedo também fazia parte do mundo infantil. Alguns povos indígenas da região Centro-Oeste do Brasil confeccionavam bonecas de argila, enquanto algumas aldeias africanas costumavam costurar bonecas de contas (miçangas) coloridas e madeira.
Com o passar dos anos, outros materiais foram sendo incorporados à produção de bonecas, como o pano e a palha de milho.
As bonecas de pano, em específico, fazem parte de diferentes culturas ao redor do mundo, sendo um dos grandes símbolos do artesanato doméstico e encantando milhões de crianças.
Inicialmente confeccionadas com restos de tecido e enchimentos improvisados, as bonecas de pano se tornaram grandes parceiras de brincadeira do público infantil. Desde a escolha dos tecidos às técnicas de costura, elas carregam em si uma série de tradições e saberes de uma cultura, sendo um importante símbolo de memória e afeto.
As bonecas de espiga, ou palha de milho, também fizeram parte da infância de milhões de pessoas. Nelas, o corpo era o próprio milho, enquanto o cabelo era as barbas da espiga e a roupa, a palha verde. Com uma produção ainda mais simples que as de pano, essas bonecas conquistaram as crianças, que abusavam da imaginação na hora da brincadeira.
Elas possuem uma tradição rica, ligada à cultura e às práticas artesanais de diversas comunidades, especialmente em regiões rurais, sendo uma importante parte da história dos brinquedos infantis no Brasil.
O bebê reborn e a busca pelo realismo total
Com o passar dos anos, a produção de bonecas foi evoluindo, graças ao surgimento de novas tecnologias e materiais. Bonecas de cera ou porcelana, com olhos de vidro, cabelos naturais e vestidos de seda se tornaram bastante populares, em especial, entre as classes mais ricas.
O surgimento de novas bonecas acompanhou uma tendência de busca por brinquedos mais realistas. Ao longo do tempo, elas passaram a incluir uma série de funções, como a possibilidade de comer, engatinhar, andar, fazer xixi e até falar e piscar os olhos.
As bonecas eletrônicas, como são conhecidas, ganharam um enorme espaço entre o público infantil, levando à criação de brinquedos que marcaram época devido à sua semelhança com bebês reais, como as Baby Alive.
Nos últimos anos, um novo modelo de boneca tem chamado a atenção: o bebê reborn, que representa o extremo dessa busca pelo realismo. Feito artesanalmente em vinil ou silicone, pintado em camadas à mão e com cabelos implantados fio a fio, cada peça pode levar mais de 80 horas para ser finalizada e tem peso semelhante ao de um recém-nascido de verdade.
Os bebês reborn têm conquistado até mesmo um público adulto, que passou a adquirir e colecionar as bonecas. Ao contrário dos brinquedos eletrônicos, normalmente produzidos em escala industrial, a arte reborn busca resgatar uma tradição manual de produção de bonecas.
Assim, os anos passam e novos brinquedos surgem, conquistando novas gerações. Mas, no fim das contas, brincar de boneca continua sendo uma das melhores brincadeiras que existem.
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