Bruxismo, ronco e apneia: quando o dentista entra no tratamento do sono
Sintomas comuns durante a noite podem indicar distúrbios mais amplos, que exigem avaliação integrada
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O ranger dos dentes durante a noite, o ronco frequente e a sensação de cansaço ao acordar costumam ser tratados como problemas isolados. No entanto, levantamento recente da Fundação Oswaldo Cruz indica que cerca de 72% dos brasileiros convivem com algum distúrbio do sono, e parte desses quadros envolve a relação entre bruxismo e apneia do sono.
Essa associação começa a ganhar atenção porque os sintomas, muitas vezes, aparecem primeiro na boca. Desgaste dentário, dor na mandíbula e tensão muscular podem ser sinais de que algo está acontecendo durante o sono. Segundo atualização do Conselho Federal de Odontologia, o bruxismo é entendido hoje como um comportamento motor relacionado ao sono, e não apenas um problema odontológico isolado.
Odontologia do sono: o que o dentista pode ou não fazer nesses casos?
A odontologia do sono é uma área que atua no cuidado das estruturas orais relacionadas aos distúrbios do sono, como o bruxismo e o ronco. Embora ainda pouco conhecida pelo público, ela faz parte de uma abordagem multiprofissional que envolve médicos, dentistas e outros especialistas.
O papel do dentista nesse processo não é diagnosticar doenças como a apneia obstrutiva do sono. De acordo com a médica do sono Raissa Karen Moraes Dantas, o diagnóstico é feito por médicos, a partir da avaliação clínica e da polissonografia, exame que monitora o padrão respiratório durante o sono. "O diagnóstico é feito pelo médico, a partir da avaliação clínica, do histórico do paciente e confirmado por meio do exame de polissonografia", explica a especialista em entrevista ao blog da Rede D'Or.
Ainda assim, o dentista tem um papel importante no manejo dos sintomas e das consequências desses distúrbios. Em casos de ronco e apneia leve a moderada, por exemplo, podem ser indicados dispositivos intraorais, aparelhos personalizados que ajudam a posicionar a mandíbula e manter as vias aéreas abertas durante o sono.
Além disso, o profissional atua na proteção dos dentes contra o desgaste causado pelo bruxismo e no acompanhamento de alterações musculares e articulares. Segundo especialistas, essa atuação não substitui o tratamento médico, mas contribui para reduzir impactos e melhorar a qualidade do sono.
O dentista especializado em sono passa pela formação convencional de faculdade de odontologia e, em seguida, busca especialização específica na área, credenciada por entidades como a Associação Brasileira do Sono, para atuar com dispositivos intraorais e manejo das consequências bucais dos distúrbios do sono.
Bruxismo e apneia: a conexão que o paciente raramente percebe
A relação entre bruxismo e distúrbios respiratórios durante o sono é mais comum do que muitos imaginam. Estudos apontam que episódios de apneia, caracterizados por pausas na respiração, podem provocar microdespertares que ativam movimentos involuntários da mandíbula. Na prática, isso significa que o ranger dos dentes pode ser uma resposta do organismo a dificuldades respiratórias. O corpo tenta reabrir as vias aéreas por meio desses movimentos, o que explica por que os dois quadros frequentemente aparecem juntos.
Essa relação também envolve fatores como estresse, ansiedade e tensão muscular, que podem intensificar tanto o bruxismo quanto os distúrbios do sono. Por isso, o tratamento costuma exigir uma abordagem integrada.
Quando procurar ajuda e como funciona o tratamento
Sintomas persistentes, como dor na mandíbula ao acordar, desgaste dos dentes, ronco frequente ou sensação de sono não reparador, podem indicar a necessidade de avaliação profissional. O primeiro passo costuma ser a consulta com um médico, responsável por investigar possíveis distúrbios do sono.
A partir desse diagnóstico, o dentista pode atuar como parte da equipe, especialmente nos casos em que há impacto direto na saúde bucal ou indicação de dispositivos intraorais. Essa atuação conjunta permite um acompanhamento mais completo, sem centralizar o tratamento em um único profissional.
Embora nem todos os casos exijam intervenção odontológica, a presença do dentista no cuidado com o sono amplia as possibilidades de tratamento e ajuda a identificar sinais que, muitas vezes, passam despercebidos.