Mercado de aromaterapia ganha espaço com busca por bem-estar e produtos naturais
Mercado cresce impulsionado por consumidores que procuram soluções naturais para aliviar ansiedade, melhorar o humor e fortalecer rotinas de autocuidado
O mercado global de aromaterapia deve atingir o valor de R$ 112,9 milhões este ano e chegar a R$ 282,5 milhões até 2035, impulsionado pelo mercado de bem-estar, revela levantamento da Global Growth Insights.
A pesquisa mostra, ainda, que 47% dos consumidores movimentam esse mercado em razão da procura por produtos naturais voltados à melhoria da qualidade de vida, como alívio da ansiedade e melhora do humor.
A aromaterapia é um sistema terapêutico que utiliza óleos essenciais extraídos de plantas para promover bem-estar físico, mental e emocional, explica estudo do IdeiaSUS Fiocruz.
O mercado de bem-estar tem deslocado o uso da aromaterapia de um público restrito, ligado aos cuidados naturais, para uma categoria ampla, que busca revitalização e saúde por meio de pequenas rotinas, analisa a aromaterapeuta, bióloga, ecóloga e co-fundadora da Terra Flor Aromaterapia, Vishwa Schoppan.
O bem-estar tem sido cada vez mais reconhecido como essencial para a saúde. Assim, a sua compreensão tem se afastado da ideia de ser apenas um luxo, explica Vishwa. Empresas investem em testes e certificações que atestam a eficiência desses óleos, o que leva ainda mais confiança às pessoas que os utilizam, acrescenta.
“Hoje, as pessoas não querem apenas produtos com aroma agradável. Elas buscam transparência nas informações e uma lista de ingredientes que realmente sejam naturais, sem substâncias químicas agressivas. Essa necessidade faz com que os óleos essenciais e óleos vegetais utilizados na aromaterapia se tornem os protagonistas da rotina saudável”, destaca.
No Brasil, a aromaterapia tem sido adotada em clínicas particulares e gradualmente em serviços de saúde pública. A pesquisa “Aromaterapia: sistema terapêutico reconhecido pelas Ciências da Saúde”, disponibilizada pela Fiocruz, explica que a terapia foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda em 2018.
Fora do cenário nacional, a aromaterapia é empregada em diferentes países, como Reino Unido, França, Itália e Estados Unidos. Apesar de ser uma prática antiga, a sua forma moderna surgiu com o químico francês René Maurice Gattefossé no século 20, como informa o estudo da Global Growth Insights.
Desde então, o sistema terapêutico tem conquistado a atenção do público consumidor, que tem dado preferência aos óleos essenciais puros, como hortelã pimenta, que ajuda na recuperação da estafa física e mental, e lavanda, capaz de reduzir ansiedade, estresse e melhorar a qualidade do sono.
Pessoas que buscam revitalizar o aspecto da pele desvitalizada podem recorrer ao óleo de rosa mosqueta vegetal, que é rico em ômegas-6 e 3. O chamado “óleo da juventude” estimula a elasticidade da pele, abranda marcas e manchas causadas pela acne, recupera e mantém o aspecto jovial do rosto e das mãos. O óleo se torna um aliado na prevenção das marcas do tempo.
Óleos essenciais atrelados ao bem-estar
Estudo disponibilizado no IdeiaSUS informa que a aplicação dos óleos essenciais pode ocorrer por meio da inalação ou diluição, quando feita de forma tópica. O segredo está na forma como o corpo interage com os aromas da técnica.
“Quando você inala um óleo essencial, as moléculas dele viajam direto para uma parte do cérebro chamada sistema límbico. Podemos dizer que esse é o nosso ‘centro de comando emocional’. Como esse caminho é direto e muito rápido, o aroma consegue modular o seu humor quase instantaneamente, antes mesmo de racionalizar o que a pessoa está sentindo”, explica Vishwa.
Ela destaca que essa é a razão de a técnica ser uma aliada tão efetiva no combate a estresse, estafa física e mental, agitação mental, ansiedade, problemas de sono, falta de foco e outros desconfortos. “Ela funciona como um ‘botão de pausa’ natural para resgatar estados de equilíbrio físico, emocional e mental”, acrescenta Vishwa.
O estudo “Aromaterapia: sistema terapêutico reconhecido pelas Ciências da Saúde”, publicado na plataforma da Fiocruz, explica que os óleos essenciais apresentam também propriedades associadas a efeitos antibacterianos, antifúngicos, antivirais e cicatrizantes, indo além da ação sobre o cérebro.
Ao todo, 77 óleos essenciais com aplicações terapêuticas foram identificados na pesquisa, entre eles são citados eucalipto, lavanda, rosa, tea tree e alecrim. O artigo científico também afirma que os óleos essenciais podem ser utilizados em difusores elétricos, sprays e aromatizadores.
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