Hobbies analógicos ganham força contra uso de telas

Em meio à fadiga digital e ao excesso de tempo online, atividades manuais e criativas surgem como alternativa para reduzir a ansiedade e estimular o foco
23/02/2026 17:03
noticia Hobbies analógicos ganham força contra uso de telas
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Créditos: istock/pixdeluxe

A tecnologia é benéfica em vários momentos da vida. No trabalho, facilitando pesquisas no dia a dia, para se distrair assistindo a filmes e séries de qualquer lugar e até mesmo para hobbies, quando os jogos e demais ferramentas de diversão são uma escolha. 

 

Apesar disso, os especialistas alertam para o excesso de tempo nas telas e o esgotamento mental que passar o dia todo trabalhando e se divertindo no computador e celular pode causar. Por isso, é essencial escolher alternativas fora do meio tecnológico, como os hobbies analógicos.

 

A fadiga digital e a necessidade de desconexão em 2026

 

Um levantamento da Comscore apontou que o Brasil é o terceiro país do mundo que mais consome redes sociais. São mais de 130 milhões de contas ativas nas plataformas.

 

Já a pesquisa “Digital 2023: Global Overview Report”, realizada pela DataReportal, apontou que o Brasil é o segundo país com maior tempo de tela. Em 56% das horas em que estão acordados, os brasileiros passam interagindo com dispositivos, o que equivale a, aproximadamente, nove horas diárias.

 

Esse excesso já vem desencadeando uma série de distúrbios emocionais e físicos na população. Para a saúde do corpo, um dos problemas é o sedentarismo, já que, na maioria dos casos, o acesso é feito sentado.

 

Para a saúde mental, o problema é ainda mais sério. Passar tempo demais no computador ou no smartphone gera ansiedade e depressão. A exposição a conteúdos estimulantes e a pressão causada por comparação podem causar e agravar casos de doenças mentais.

 

Para as crianças, a UFMG alerta que essa exposição é ainda mais grave. 72% das crianças avaliadas pela tese "As associações entre tempo de tela e saúde mental no ciclo vital" tiveram aumento de depressão associado ao uso de telas e diminuição do QI por uso exagerado.

 

Mas como fugir desse excesso quando as telas parecem a única saída para o trabalho e o divertimento? A Organização Mundial da Saúde alerta que, para prevenir esse esgotamento emocional severo e mental nos adultos, é preciso começar com momentos de lazer ativos, ou seja, é necessário partir para o tradicional e resgatar as atividades manuais.

 

Costura e trabalhos manuais como ferramentas de bem-estar

 

Essa desintoxicação digital pode ser um pouco difícil, principalmente pelo estímulo que o celular causa para o cérebro, gerando doses de dopamina em pouco tempo. Por isso, uma das maneiras de iniciar esse processo é aproveitando as tendências e inserindo as artes manuais aos poucos.

 

Os livros de colorir, por exemplo, foram tendência em 2025, ficando no topo dos mais vendidos de diversas livrarias do país. Escolher as cores, testar diferentes técnicas de pinturas e aproveitar aquele momento para se desligar das telas é uma maneira de reduzir a ansiedade e estimular a criatividade real, sem influência do que é visto nas redes sociais.

 

Além disso, há um resgate também de outras formas de artes manuais. Conhecido como “hobbies de vó” , esse conceito resgata aquilo que tradicionalmente era feito por mulheres.

 

Crochê, costura criativa, bordados e até cerâmica entram nessa lista. Ao criar algo com as próprias mãos, o cérebro funciona de forma ativa, e não apenas como um espectador. Isso traz benefícios cognitivos, como melhora da memória e do foco. 

 

Essas artes ainda possibilitam a meditação ativa durante sua execução, além de trazer benefícios de recompensa. Ao ver algo feito com as próprias mãos, o cérebro entende aquilo como algo positivo, gerando a sensação de bem-estar.

 

Esses hobbies podem ou não serem feitos sozinhos. Juntar os amigos e reunir materiais, como agulhas, linhas e tecidos, é uma maneira de aproveitar o analógico e interagir com as pessoas para além das telas.

 

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