Quando procurar uma avaliação neuropsicológica para a criança?
Entenda qual é o momento certo para buscar orientação especializada.
Pais e responsáveis podem ter dúvidas sobre quando há a necessidade de recorrer à avaliação neuropsicológica infantil. Compreendendo que cada criança é única, mas que também há etapas que marcam o desenvolvimento, instituições e especialistas explicam o que é preciso observar para considerar o momento certo de pedir orientação profissional.
A avaliação neuropsicológica é recomendada quando “a criança apresenta dificuldades persistentes no aprendizado, problemas comportamentais ou suspeitas de transtornos do neurodesenvolvimento”, conforme informações da Faculdade Líbano.
De acordo com a instituição, devem ser observados aspectos como dificuldades escolares sem causa aparente, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA), distúrbios de linguagem e comunicação, alterações no comportamento social e histórico de doenças neurológicas.
A avaliação é capaz de analisar funções cognitivas e comportamentais, por isso, é apontada como o melhor instrumento para fornecer diagnósticos, como informa a instituição. O Instituto NeuroSaber corrobora que “o momento ideal é quando alguma alteração de ordem neurológica é percebida”.
Em publicação na plataforma Doctoralia, a psicóloga Renata Reis de Freitas afirma que não existe uma idade específica. “Se os pais, responsáveis ou professores notarem alguma alteração no comportamento da criança, o mais indicado é que busquem ajuda o quanto antes”, orienta.
Na clínica para autismo em Niterói, Espaço Cel, o atendimento é realizado com pacientes recém-nascidos até 16 anos que apresentam transtornos do neurodesenvolvimento e alterações neurológicas. O trabalho é realizado em todas as fases da infância, na pré-adolescência e na adolescência.
Como é feita a avaliação neuropsicológica?
De acordo com as informações da clínica Espaço Cel, a avaliação neuropsicológica vai “mapear funções cognitivas como memória, atenção, linguagem, raciocínio e habilidades motoras, fornecendo informações para o tratamento adequado. Além disso, contribui para o acompanhamento da evolução do paciente e a elaboração de estratégias que favorecem o desenvolvimento e a qualidade de vida.”
O acompanhamento da neuropsicologia de pessoas que apresentam transtornos de neurodesenvolvimento é considerado fundamental para possibilitar o progresso de habilidades e a adaptação mais plena possível ao meio em que vivem e convivem com outras crianças e adultos.
Na avaliação neuropsicológica, os profissionais especializados utilizam diversos instrumentos, como entrevistas com o paciente, observação comportamental, aplicação de testes e escalas específicas, estudo do material recolhido, elaboração de relatório com apresentação aos familiares, como explica o Instituto Jô Clemente.
A partir do conhecimento do perfil cognitivo, é possível fazer um planejamento e orientar sobre os tratamentos. Isso só pode ser feito com uma análise individual de cada caso, para que a pessoa receba uma estratégia personalizada. Todos esses passos também são importantes para a família, que passa a ter o acolhimento e as orientações necessárias.
Laudo neuropsicológico e laudo psicológico
O laudo neuropsicológico é diferente do laudo psicológico. A Clínica Psi traça um comparativo, mostrando que o primeiro tem atenção voltada às funções cognitivas, usa testes padronizados e validados, é realizado por psicólogo com especialização, tem aplicação clínica e educacional e é muito comum de ser usado em processos judiciais.
Já o laudo psicológico tradicional, também realizado por psicólogo, pode abranger aspectos mais amplos da personalidade, histórico emocional e comportamental, sem obrigatoriamente utilizar instrumentos padronizados com foco cerebral. Dessa forma, o foco é nas emoções e na personalidade, costumam ser realizadas entrevistas, e o uso em processo judicial é limitado.
Diferentes estudos científicos mostram as contribuições da avaliação neuropsicológica em atendimentos realizados no país. O artigo “Avaliação neuropsicológica no Brasil: contextos e contribuições”, publicado na Revista FT, em 2024, destaca que “houve um crescimento significativo na relevância da neuropsicologia no país”.
Já o artigo “Avaliação neuropsicológica das altas habilidades/deficiência”, publicado este ano, mostra o uso crescente de protocolos neuropsicológicos para identificar perfis cognitivos em crianças com altas habilidades e superdotação.
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