Norma ABNT de acessibilidade pode influenciar SEO
Nova diretriz técnica amplia o debate sobre inclusão digital e seu impacto no ranqueamento de páginas na web
Em 2025, o Brasil deu um passo importante rumo à construção de uma sociedade mais inclusiva. Em março, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) lançou, em evento realizado na sede do Google Brasil, a norma ABNT NBR 17225 – Acessibilidade Web, que define diretrizes técnicas para tornar sites e aplicativos acessíveis a todas as pessoas.
O documento foi elaborado com apoio do Governo Federal e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e estabelece 146 diretrizes que abrangem desde o uso do teclado e contraste de cores até formulários, imagens, design responsivo e produção de conteúdo digital.
Com as novas recomendações, especialistas da área de Search Engine Optimization (SEO), ou otimização para mecanismos de busca, têm destacado a importância de estar em conformidade. Na avaliação da CEO e fundadora da agência de PR digital, SEO e link building, Experta, Flávia Crizanto, o lançamento vai ao encontro de um movimento reforçado pelo próprio Google, que indica buscar tornar o mundo digital mais acessível.
“O Google destaca que, ao criar um site, é preciso pensar na experiência do usuário. Embora a acessibilidade ainda não seja mencionada diretamente como fator de ranqueamento, ela influencia em métricas muito importantes, como o tempo de permanência e a taxa de rejeição. Quando uma pessoa não consegue interagir com o conteúdo, ela sai mais rápido, e isso impacta o desempenho do site nas buscas”, explica.
Segundo Crizanto, a velocidade de carregamento e o design responsivo são exemplos de fatores que colaboram para uma experiência positiva e, quando o assunto é acessibilidade, sua relevância é ainda maior. Ela acrescenta ainda que essa acessibilidade não se resume a pessoas com deficiência: idosos, usuários com conexões de internet mais lentas ou com pouca familiaridade tecnológica também se beneficiam de sites mais simples e rápidos.
“Se uma pessoa idosa está tentando concluir uma compra em um site e enfrentando páginas lentas ou que não se adequam à tela do dispositivo usado, a sua experiência será frustrante. Por outro lado, ao contratar agência de SEO para realizar otimização desses aspectos, a empresa reduz a taxa de rejeição e melhora o ranqueamento orgânico”, complementa.
Outro exemplo citado é o uso de atributos ALT, descrições textuais que ajudam leitores de tela a identificar o conteúdo das imagens e, ao mesmo tempo, permitem que os mecanismos de busca compreendam melhor o contexto das páginas. Sendo assim, essas descrições são fundamentais tanto para a navegação inclusiva quanto para o SEO, impactando na indexação do conteúdo.
Norma disponibiliza checklist para adequação
Para permitir melhor acessibilidade na web, a NBR 17225 disponibiliza um checklist prático, que auxilia empresas e organizações a avaliarem o nível de conformidade de seus sites e a promoverem as adequações necessárias para atender aos padrões técnicos definidos pela ABNT.
Representante do MDHC, o diretor de Relações Institucionais da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), Antônio José Ferreira, destaca a importância da regulamentação para o fortalecimento da acessibilidade digital no Brasil.
“Dados do Movimento Web para Todos (WPT) apontam que menos de 3% dos sites do país são acessíveis — os que podem ser lidos por software leitor de telas, por exemplo. Além de estar alinhada com padrões internacionais e à Lei Brasileira de Inclusão, a NBR 17225 estabelece boas práticas para acessibilidade digital, impactando os serviços públicos, privados e a vida de mais de 18 milhões de brasileiros e brasileiras com deficiência, idosas ou com impedimentos temporários”, diz o gestor.
Na avaliação de Flávia Crizanto, além de favorecer a acessibilidade e o SEO, empresas que investem nesse quesito fortalecem a confiança do público, ampliam o alcance de suas marcas e demonstram compromisso com inovação e inclusão. “Essas ações podem ser divulgadas, por exemplo, com o trabalho de PR digital, que contribui para compartilhar as iniciativas da marca e reforçar sua autoridade online”, acrescenta.
Um estudo do World Wide Web Consortium (W3C) reforça essa perspectiva, indicando que organizações que investem em acessibilidade digital podem ampliar em até 30% o alcance de seus produtos e serviços junto ao público, sendo também uma vantagem competitiva.
Acessibilidade também influencia a presença nas IAs
Com o avanço das inteligências artificiais (IAs), que têm se tornado uma importante fonte de pesquisa e descoberta de conteúdo on-line, também é preciso pensar em estratégias para aparecer nas suas respostas. Na avaliação de Crizanto, o conceito de "Answer Engine Optimization (AEO)”, ou “otimização para mecanismos de resposta", já começa a redefinir a forma como as empresas constroem a sua visibilidade digital.
Enquanto no SEO técnico o foco está em aparecer entre os primeiros resultados de busca – por meio de estratégias como otimizar a parte técnica de um site ou contratar uma agência de link building local para fazer uma análise completa sobre isso –, o AEO busca adaptar o conteúdo para ser compreendido e citado diretamente por assistentes de IA, como o ChatGPT, o Gemini e a Visão de IA do Google.
Crizanto explica que a chegada do ChatGPT Atlas, novo navegador da OpenAI com IA integrada, reforça essa mudança. “Enquanto os buscadores tradicionais priorizam palavras-chave, o Atlas interpreta e renderiza páginas, extrai respostas e cita fontes dentro da interface. Dessa forma, o site precisa ser não apenas otimizado para mecanismos de busca, mas também preparado para ser lido por modelos de linguagem”, afirma.
Nesse contexto, pensar em acessibilidade e clareza semântica é fundamental. Recursos como o ARIA (Accessible Rich Internet Applications) ajudam sistemas de IA e tecnologias assistivas a compreender elementos interativos, como menus e botões. “Ao adicionar atributos como aria-label ou role, você melhora a experiência de pessoas com deficiência e facilita a leitura da página por agentes automatizados”, explica a CEO da Experta.
Flávia diz que o ARIA adiciona contexto a elementos que podem ser complexos para leitores de tela ou ferramentas de navegação assistida, comumente utilizados por usuários que apresentam limitações. A própria OpenAI confirma que proprietários de sites podem inserir tags ARIA para melhorar o funcionamento do agente do ChatGPT em suas páginas.
Para ela, isso reforça uma tendência já evidente. “Independente da plataforma, pensar em acessibilidade é pensar em inclusão, e agora temos indícios de que isso será cada vez mais valorizado também pelos sistemas de inteligência artificial”
ÚLTIMAS NOTÍCIAS UOL