Quem aposta mais? O brasileiro ou o estadunidense? Análise de cada mercado

O mercado de apostas está fervendo no Brasil, mas como será que ele se compara ao estadunidense? Quem tem mais apostadores e quem movimenta mais grana?
01/10/2025 06:00
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A indústria de apostas esportivas cresce com velocidade no mundo todo, impulsionada pelo avanço da tecnologia, disponibilidade de internet e mudança nas legislações. Mas será que o brasileiro aposta mais que o estadunidense: ou o que acontece é o oposto? Neste texto, você vê uma comparação de perfis, volumes, dados recentes e desafios de ambos os mercados, para ver como cada país se comporta nesse universo.

Cenário brasileiro: crescimento explosivo e desafios regulatórios

O setor de apostas online no Brasil vive um crescimento impressionante. Esse salto está ligado tanto ao boom das plataformas digitais quanto à popularização de ofertas que chamam a atenção do público, como bônus agressivos (principalmente antes da regulamentação) e até promessas perfeitas para quem tem pouco saldo, como a possibilidade de escolher plataformas com depósito mínimo de 1 centavo, que reforçam a sensação de acessibilidade para camadas mais amplas da população.

No primeiro semestre de mercado regulado em 2025, a Secretaria de Prêmios e Apostas apontou que 17,7 milhões de brasileiros já haviam apostado em plataformas oficiais ou em processo de regulamentação.

Apesar do avanço, o país enfrenta um problema sério com o mercado ilegal: estima-se que operadores piratas movimentem até R$ 40 bilhões por ano, cifra superior ao setor regulado. Esses indicadores mostram um Brasil em plena expansão, mas com forte presença de operadores não autorizados e um público diversificado, o que reforça tanto o potencial de mercado regulado quanto os riscos sociais e econômicos do mercado irregular.

Cenário dos Estados Unidos: mercado consolidado e receitas bilionárias

Nos Estados Unidos, as apostas esportivas ganharam fôlego após a decisão da Suprema Corte em 2018, que liberou os estados para regulamentar o setor. Desde então, dezenas de estados legalizaram as apostas, criando um ambiente competitivo e fiscalizado. Em 2024, o mercado americano gerou US$ 13,7 bilhões em receita apenas com apostas esportivas, movimentando cerca de US$ 150 bilhões em volume de apostas, segundo estimativas.

A penetração entre a população também é significativa: pesquisas recentes indicam que mais de 20% dos adultos norte-americanos apostaram em esportes no último ano. Esses números mostram uma base consolidada de usuários, distribuída por diferentes faixas de renda e regiões, embora a legalização ainda não cubra 100% do território.

Outro fator relevante é a escala do marketing e da integração com grandes ligas esportivas. Parcerias oficiais com a NFL, NBA, MLB e campeonatos universitários dão legitimidade e visibilidade às apostas, criando um ciclo em que publicidade, patrocínios e tecnologia impulsionam ainda mais a adesão dos consumidores. Isso contribui para que os EUA tenham não apenas uma receita maior em valores absolutos, mas também um ecossistema mais maduro e integrado à indústria do entretenimento.

Quem aposta mais – o brasileiro ou o americano?

Quando falamos em apostas esportivas, podemos olhar por dois ângulos principais: o volume de dinheiro movimentado e o número de pessoas que apostam. Vamos lá:

1- Quem aposta mais em volume de dinheiro

Em valores absolutos, como já era de se esperar, os americanos movimentam mais dinheiro no setor.

  • Estados Unidos : em 2024, as apostas esportivas geraram US$ 13,7 bilhões em receita e movimentaram cerca de US$ 150 bilhões em apostas.
     
  • Brasil: no 1º semestre de 2025, o mercado regulado online registrou R$ 17,4 bilhões em GGR, enquanto o mercado ilegal pode chegar a R$ 40 bilhões por ano.

Isso reflete, claramente, um mercado dos EUA bem mais consolidado, interligado e lucrativo que o brasileiro. 

2- Quem tem mais apostadores

Nos Estados Unidos, se você considerar que 20% apostaram em esportes no último ano, isso equivale a 68 milhões de pessoas, um número que já passa com folga o número total de apostadores no Brasil, que está estimado entre 17 e 22 milhões de pessoas. Mas, segundo os dados da American Gaming Association, 55% dos americanos participaram de alguma atividade de apostas, seja esportes ou cassino, no ano de 2024. 

Esse número é ainda mais surpreendente, algo que marcaria, na população de 340 milhões de estadunidenses, simplesmente 187 milhões de pessoas. Isso significa, em outras palavras, que as bets, embora pareçam ter conquistado de vez o público brasileiro, são bem mais presentes culturalmente no país norte-americano.

E no futuro? Onde o Brasil pode chegar?

Segundo os resultados dos últimos anos, a quantidade aproximada de 20 milhões de apostadores no Brasil ainda pode crescer bastante, mas não há nenhuma projeção que coloque o país sequer perto da quantidade de apostadores dos Estados Unidos, tanto em valores absolutos, quanto em porcentagem. 

É possível supor que o Brasil atinja pelo menos 30 milhões de apostadores até 2030, ou seja, um crescimento muito alto. Entretanto, isso não chega aos pés dos norte-americanos, mostrando que as coisas aqui já parecem bem grandes, mas nem se comparam a cenários culturais tão gigantes como dos EUA

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