POR QUE ESCREVO?

Por Eriberto Henrique
29/08/2025 21:37
noticia POR QUE ESCREVO?
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Cheguei a um marco de 80 livros escritos e publicados, com uma mistura de sentimentos que mal consigo processar. Vivo em um país onde seguir o caminho convencional é enfrentar uma verdadeira odisseia moderna. Lutas, estatísticas e perdas que precisam ser absorvidas imediatamente, pois um empreendedor que vive da literatura não tem tempo para lamentar o leite derramado.

Contemplo os resultados de anos de trabalho, repletos de pesquisas, observações minuciosas, opiniões, sonhos e julgamentos de todos os tipos, e me pergunto: onde estão os leitores? Não há nem mesmo um punhado de leitores que possa ser contado em uma mão. Uma leitura aqui, outra ali, uma avaliação sem comentários. Eu, um humilde consultor, ensino aos jovens escritores que para ser um autor é preciso ser um leitor, mas não consigo encontrar um único e miserável leitor. Um único ser que se interesse pelo próximo livro.

Será que escrevo bem? Os poucos que leem afirmam que sim, mas ainda tenho minhas dúvidas e acredito que nunca saberei a verdade. Com mais de 25 anos dedicados diariamente à literatura, sou o tipo de pessoa que escreveu de tudo: de histórias em quadrinhos a livros infantis, poemas, crônicas, romances, contos e obras acadêmicas. Alguns levaram anos para serem finalizados, enquanto outros foram concluídos em apenas alguns meses.

Olhando para a tela em branco diante de mim, me questiono: por que escrevo? Amor, paixão, vocação ou, como muitos podem pensar, uma tolice? No nosso amado Brasil, tudo é definido pelos bens materiais, não pelos imateriais. Se alguém possui uma grande casa e carros importados na garagem, é considerado um homem bem-sucedido; presumem que seus livros devem ser magníficos. Se o fato é contrário, não passar de um sonhador que vive de favor, contando os centavos que recebo da Amazon.com, serei apenas um poeta coitado, sonhando demais quando deveria estar vivendo, passando em um concurso, tornando-me um funcionário público e voltando para casa após o expediente, refletindo sobre o que é ser escritor em um país que lê tão pouco.

 

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