Entrevista com o ator e diretor Alexandre Battel

Debby Mian - 25/08/2015
Debby Mian  |  25/05/2020
noticia Entrevista com o ator e diretor Alexandre Battel
noticia Entrevista com o ator e diretor Alexandre Battel

                                                            Imagem divulgação da internet

 

Como surgiu a idéia de ser ator?

R: Acredito que essa arte já está no sangue. Sempre assistia TV e me via apresentando programas, brincava de montar cenas, escrevia desde muito pequeno. O teatro propriamente começou na escola, nas aulas de educação artística, quando tínhamos oportunidade de realizar outros trabalhos além de desenhos.  Depois disso fui procurar grupos para participar e nunca mais parei.

 

Teve apoio de sua família e amigos?

R: Minha vontade foi única, não tenho ninguém na família ligado à arte. Meus pais apoiam, claro e participam também do processo e amigos vieram também no meio. Agora um apoio fundamental que nunca posso deixar de agradecer é minha querida Leci Brandão!

 

O que é ser ator? Quais as dificuldades para se tornar um ?

R: Ser ator é ser tudo e todos em um só ser. Você tem a oportunidade de vivenciar situações, que fogem do seu cotidiano. É de muita responsabilidade, pois muitos estão vendo a analisando seu trabalho e às vezes, inspirando-se em alguma personagem.

Dificuldades temos devida à falta de interesse político em ter um povo culturalmente evoluído aqui no Brasil.

O teatro serve para tornar o cidadão pensante, crítico e isso não interessa ao domínio político.  Fora o preconceito que ainda existe, pois tem gente que acha que ser ator é ser prostituto, outros fazem a típica pergunta “você trabalha ou só faz teatro?”, tudo fundamentado no preconceito.

 

O Brasil é um país onde o artista tem apoio  profissional?  É fácil ser ator aqui?

R: Comentei um pouco sobre isso na pergunta anterior. Realmente aqui nada é fácil, quando ligado à arte. Apesar do Governo negar, sabemos que patrocínio quem consegue são grandes, cito aqui Maria Bethania, Luan Santana, Beth Carvalho, pessoas que cobram cachês absurdos para fazer seus shows e mesmo assim o governo banca, enquanto que grupos que realmente levam cultura às comunidades ficam de fora. É muito difícil ser ator aqui.

 

O que lhe dá mais prazer na profissão?

R: Nada paga mais que o sorrido da plateia ao te assistir. Que o contato do público após a apresentação quando querem tirar foto, pedir autógrafo. Esse carinho nos gratifica.

 

Você já teve vontade de fazer Cinema ou TV? Já surgiram oportunidades?

R: Tive e fiz. Dirigi um curta chamado Marcelo, participei de um outro chamado O preço de uma noite, tenho participações em comerciais. É muito bacana esse outro lado e eu adoro.

 

Você consegue viver da arte?

R: É impossível viver de arte aqui no Brasil quando você trabalha pra sua comunidade, sem incentivos culturais. É impossível viver de arte no Brasil quando o sindicato que deveria valorizar o trabalho do artista, inviabiliza o acesso.

Por exemplo, existe uma tabela, que eu chamo de “tabela dos sonhos” que obriga o ator a receber um cachê mínimo por apresentação, se os donos de teatro e produtores a cumprissem, não existiria mais teatros neste país.

 

Quais foram os seus principais trabalhos?

R: Tenho uma linha de dramas nos espetáculo Urbanicidades I, II, III, IV. Todos escritos e dirigidos por Edson Araújo Lima, a quem sou muito grato, pois foi lá que tive o melhor papel e a melhor cena de minha carreira, com a personagem Baby, uma travesti que foi abandonada pela família, o pai era comandante da polícia e eles se reencontram muitos anos depois...a cena é maravilhosa. 

O primeiro espetáculo que atuei no Teatro Bibi Ferreira foi As filhas da mãe, de Ronaldo Ciambroni com direção do espetacular Kaká de Lyma; em infantis tem na lista Pinóquio o carinha de pau, Peter Pan e Sininho na Terra do nunca, As princesas do Castelo encantado, todos dirigidos pelo mestre Sebastião Apolônio e coreografados pelo talentosíssimo Roberto Azevedo, Os três porquinhos o musical e, prestes a estrear, A pequena sereia, com direção de Alexandre Biondi.

Também participei da Turma do Chaves Brasil, dirigido por Mileine Aliága, interpretei o Senhor Barriga; agora meus dois orgulhos, são os espetáculos que criei para o Grupo O Fi’los, que coordeno: E agora meus deuses? E o infantil Confusão no jardim.

 

Existem trabalhos em cartaz no momento?

R: Graças a Deus eu não paro. Segue a agenda (risos).

 

Sábados:     17h15: Os três porquinhos, o musical

                   19h00: As filhas da mãe

 

Domingos:  11h00: Confusão no jardim (até 30 de agosto)

                  16h30: A pequena sereia (a partir de 06 de setembro)

                  17h30: Peter Pan e Sininho, na Terra do Nunca

 

Você tem vontade de atuar no exterior?

R: Vontade não tenho, mas se aparecer não vou negar ( risos).

 

Antes de ser ator, qual era sua profissão?

R: Eu sou formado em Educação Infantil e também fiz Letras.  Também me arrisco a escrever, publiquei em 2011 o livro Um pedaço de nós. Um livro de poesias que falam do dia-a-dia (amor, política, amizade, espiritualidade etc)

 

Qual seu hobbie quando não está atuando ou dirigindo peças?

R: Adoro ir ao cinema, ir a restaurantes, cozinhar pros amigos e assistir novelas (risos).

 

Qual seu maior sonho?

R: Complicado ,mas digamos que vivo o meu sonho constantemente, nem sempre na realidade. Complexo (risos)

 

Qual o conselho que você daria para quem quer iniciar-se na carreira?

R: Estude muito! Seja sempre humilde e disposto a ouvir e aprimorar seus conhecimentos. Agora, se quer entrar na profissão pensando no glamour, desista! Certamente estará na profissão errada.

 

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