Entrevista com Clemente Tadeu Nascimento, um dos maiores ícones do Punk Rock Nacional
Debby Mian - 07/06/2018
Imagem divulgação da internet
Clemente Tadeu Nascimento, nascido em SP, em 12 de maio de 1963, é um dos pioneiros do Punk Rock Nacional, como integrante das consagradas bandas INOCENTES e PLEBE RUDE, que foram sucesso nos anos 80, arrastando multidões em todas as suas apresentações pelo país e que continuam até os dias de hoje para alegria dos seus inúmeros fãs.
Ele é Músico, Produtor, DJ e apresentador e nos concedeu gentilmente essa entrevista para nos contar um pouco sobre seus inúmeros trabalhos de um modo geral.
Confira!
Debby - Você é um dos pioneiros do Punk Rock no Brasil. Iniciou sua carreira no final da década de 70 e influenciou toda uma geração que acompanha seu trabalho até os dias de hoje. Como despertou seu interesse em ser músico e quais foram suas influências musicais?
Clemente- Eu comecei em 1978, com o Restos de Nada. Tudo foi acontecendo, o cara que realmente queria tocar era o Douglas Viscaíno, guitarrista do Restos de Nada, ele adorava solar e precisava de alguém pra fazer a base, então ele me ensinou a tocar em 1976/77 e eu fui tomando gosto pela coisa. As influências iniciais, The Who, Hendrix, Black Sabbath e Chuck Berry.
Debby - Você fez parte das extintas bandas RESTOS DE NADA e N.A.I (posteriormente chamada de CONDUTORES DE CADÁVER) e ficou mundialmente conhecido com as bandas INOCENTES e PLEBE RUDE, que foram de grande importância para a cultura do Rock nacional. Você poderia falar resumidamente um pouco sobre a trajetória do seu trabalho em cada uma delas?
Clemente- Ah, cada banda reflete um momento da vida. O Restos de Nada, foram os pioneiros, o Condutores a banda que organizou os primeiros festivais punks, o Inocentes a banda que marcou na descoberta do punk pela grande mídia, participou do primeiro disco punk brasileiro, a coletânea Grito Suburbano e está aí até hoje, 25 anos com a mesma formação e a Plebe é a banda que eu mais gostava de Brasília, banda irmã do Inocentes e hoje estou com eles.
Debby - Um dos locais onde consolidou-se o rock em São Paulo, com a apresentação de grandes nomes da época, foi o lendário Napalm. Fale um pouco sobre esse local e sobre a época.
Clemente - Foram só duas bandas punks que tocaram no Napalm, o Inocentes e o Ratos de Porão, a casa consolidou a cena pós punk e New Wave que estava começando, com os primeiros shows do Titãs, Ira, Mercenárias, Azul 29, Coke Luxe entre outras, no último final de semana, tocaram Legião Urbana e Plebe Rude. Mas foi uma casa que consolidou a cena que iria se destacar alguns anos depois.
Debby - Com a Banda INOCENTES, você fez parte da coletânea GRITO SUBURBANO lançado pelo selo PUNK ROCK DISCOS em 1982. Como foi para você fazer parte de uma banda que em meio a tantas outras, foi escolhida para participar de um trabalho de tanta visibilidade no cenário do punk rock e como foi esse trabalho?
Clemente - A banda foi convidada por que era boa, arrastava público, assim como o Cólera e o Olho Seco, em 1981 nós já éramos “veteranos” pois tínhamos começado em 1978/79, então tínhamos mais experiência, equipamento, tínhamos boas canções, tocávamos melhor e com isso ganhamos destaque.
Debby - Em 1983, vocês gravaram o primeiro LP “MISÉRIA E FOME”, tendo as 13 músicas que continham nele, censuradas, fazendo com que vocês modificassem as letras de algumas músicas. Aquela época a maioria das bandas sofriam com a censura em suas letras, que na maioria das vezes falavam sobre política. Fale um pouco sobre esse trabalho e sobre as mudanças que fizeram nas letras (o que mudaram).
Clemente - Foram mudanças pontuais, mudar o nome da letra e acrescentar uma frase aqui e ali, por exemplo, a música “Miséria e Fome”, ganhou o nome de “Depois de Tudo Que eu Vi e Aprendi”. Fazia parte do contexto da época, era difícil, mas acho que o mais importante era a poesia que era boa, pois hoje sem censura, tem muitas letras que falam de política, mas poeticamente deixam a desejar.
Debby - Foram muitas as apresentações nos palcos, ao lado de várias bandas de grande visibilidade nacional. Posteriormente, vocês realizaram shows com direito a abertura para a LEGIÃO URBANA e RAMONES. Qual foi a emoção de fazer parte de shows ao lado dessas bandas?
Clemente - Quando abrimos o Legião em 1985 no Circo, a banda ainda não tinha o status que tem hoje e eles eram apenas uma banda amiga. Já abrir para o Ramones em 1994, para o Sex Pistols, Bad Religion em 1996, foi mais interessante, não por estar no mesmo palco que os caras, mas por poder assistir ao show de um lugar privilegiado e ver bandas que influenciaram a gente bem de perto. Mas é mais um show e muito mais difícil de se fazer, pois os fãs podem ser cruéis com a banda de abertura, tínhamos que matar um leão por dia, mas o resultado foi satisfatório.
Debby - A partir de quando você assumiu os vocais da PLEBE RUDE e o que foi conciliar as duas “CREWS”?
Clemente - Eu assumi em 2004, conheço eles desde 1983, foi super natural, temos as mesmas influências, já era fã e conciliar as duas bandas é tranquilo, difícil é lembrar de tanta letra. Os dias mais legais é quando tocam as duas bandas juntas, trabalho em dobro...rsrs.
Debby - O sucesso com o PLEBE RUDE foi absoluto, com apresentações em shows por todo o Brasil, rádios e programas de TV, vendendo mais de 500 mil cópias de seus seis discos, com direito a premiação do Grammy latino de melhor álbum brasileiro. Em sua opinião, quais foram os trabalhos mais importantes desde a trajetória da banda?
Clemente - Cada show é uma conquista, gosto de tudo que lançamos juntos, R ao Contrário, Nação Daltônica, o DVD Rachando o Concreto, Primórdios o trabalho mais recente. Tocamos no primeiro Lollapalooza no Chile e no Brasil, nessa ordem mesmo. Abrimos uma turnê toda do Guns & Roses, 5 shows pelo Brasil, sempre tem um show importante ou legal para fazer, dia 09/06 tocamos com o Zero no Circo Voador, vai ser demais, essa dobradinha não acontece desde 1987.
Debby - De todos os trabalhos que você realizou nas duas bandas, quais foram os mais importantes e que te deram maior prazer em fazê-lo?
Clemente - Todos os trabalhos me dão prazer em realizar, gosto das duas bandas é um envolvimento de vida, não consigo destacar nenhum em especial, vou sempre falar do mais recente e o da Plebe é o Primórdios que acabamos de lançar.
Debby - De onde surgiu o convite para apresentar o programa FILHOS DA PÁTRIA na Rádio Kiss?
Clemente - O Evaldo coordenador da Kiss que me chamou, queria um programa e eu sugeri um só de rock nacional e ele adorou a ideia, foram ele e o Gastão que batizaram o programa.
Debby - Com o Gastão Moreira (ex VJ da MTV), você realizou alguns trabalhos, inclusive como diretor artístico do programa MUSIKAOS, transmitido pela TV Cultura e apresentado por ele. Como foi sua experiência durante essa época?
Clemente - A gente era feliz e sabia, conseguimos fazer um programa que marcou época, levamos vários nomes que gostamos ao programa e lançamos muita gente lá, aprendi muita coisa de TV com ele e com o Pedro Vieira diretor do programa.
Debby - “CLEMENTE & A FANTÁSTICA BANDA SEM NOME”, como surgiu e qual foi o principal trabalho?
Clemente - Só temos um trabalho, o disco Antes Que Seja Tarde. Sempre você tem canções que representam uma outra faceta sua, mas que não cabem no trabalho das suas bandas principais, aí vem a necessidade de lançar um disco solo, esse saiu em 2016, estamos preparando o próximo.
Debby - Quais os trabalhos ou projetos que você está envolvido atualmente?
Clemente - Sou apresentador e diretor artístico do Showlivre.com, do Heavy Lero com o Gastão e do programa de rádio Filhos da Pátria e toco com o Inocentes, Plebe Rude e A Fantástica Banda, e discoteco nas horas vagas.
Debby - Gostaria de deixar uma mensagem especial para os fãs que acompanham seu trabalho desde o início?
Clemente - Não deixe o rock morrer em você!
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