O que você precisa saber sobre febre amarela.

As notícias sobre os casos de febre amarela no município de Mairiporã tem gerado muitas dúvidas e muitas informações equivocadas.
09/01/2018 00:02
noticia O que você precisa saber sobre febre amarela.
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Para esclarecer essas dúvidas fizemos uma pesquisa baseado em informações de intituições como Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ, ABRASCO e UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto). 

Sintomas da febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso.

Transmissão

A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Prevenção

Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d'água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do "fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

 

O surto de febre amarela está diretamente ligado a problemas ambientais.

 

O desequilíbrio por problemas como poluição, secas, desmatamentos e a ocupação por humanos, reduzindo assim as  florestas que por sua vez causam a escassez de alimentos deixam os macacos estressados e famintos com isso seu sistema imunológico fica fragilizado deixando-os mais veneráveis e suscetíveis a doenças.

Devido a esses problemas os macacos migram em busca de lugares melhores e com recursos para sua sobrevivência e isso contribui para a disseminação do vírus de uma região para outra.

Com isso os macacos partem para fragmentos de mata atlântica e cerrado próximo a áreas urbanas carregando consigo os vírus.

A fragmentação e redução de áreas de habitat  também é um problema porque ela isola populações de macacos, que por esse motivo, passam a se reproduzir mais com parentes próximos, o que diminui a diversidade genética e as torna mais vulneráveis aos vírus.

Quando um vírus alcança um macaco de uma população sem diversidade genética ele rapidamente se dissemina.

Vale lembrar  que os macacos não transmitem vírus eles são vitimas das ações humanas que ocupam seu habitat e os tornam vulnerais aos vírus.

Os órgãos de saúde acompanham os dados sobre a morte dos macacos que servem como indicadores da presença do vírus próximo a centros urbanos.

 

Fumacê contra o mosquito é eficaz?

 

“A pulverização aérea para controle de vetores, além de perigosa é ineficaz”. Anos e anos de aplicação de fumacê serviram apenas para selecionar os mosquitos mais fortes, forçando o aumento nas doses de veneno e a utilização de novos agrotóxicos. Os efeitos na saúde da população exposta à pulverização aérea nas lavouras está extremamente bem relatado no Dossiê Abrasco.

Uma das formas de combate ao Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue, zika, chikungunya e a febre amarela, é a pulverização de inseticida, popularmente conhecido como fumacê. A nuvem de fumaça de inseticida espalhada pelas ruas e residências tenta matar o mosquito para evitar que mais gente contraia uma das doenças.

No Brasil, um dos inseticida utilizado no fumacê é o Malathion. Sua fórmula é diferente dos inseticidas encontrados nos supermercados e sua distribuição é feita somente pelo Governo Federal, que compra o produto e distribui para os Estados, que repassa aos municípios.

Por ser um inseticida, o Malathion pode causar danos à saúde se a exposição ao produto for longa ou corriqueira. Por isso, quando ele é jogado em residências, os moradores devem deixar o local junto com seus animais de estimação.

“Todos os inseticidas são neurotóxicos, ou seja, atacam o sistema nervoso.” O que muda de remédio para veneno é a dose. Neste caso (combate ao Aedes aegypti) ele é jogado em doses capazes de matar o mosquito. O problema é o uso indiscriminado de inseticidas. Há condomínios que passam inseticida duas vezes por dia, um absurdo. O inseticida serve para bloquear epidemias e não deve nunca ser usado de forma preventiva”, afirma a entomologista Denise Valle, da Fiocruz, que estuda as formas de conter a expansão do Aedes aegypti.

O fumacê tem ação temporária e pontual, por isso não é considerado o método ideal para acabar com o Aedes aegypti e outros mosquitos que carregam vírus perigosos.

“A melhor forma de evitar os mosquitos é acabar com os criadouros, não usando o inseticida”, afirma Alessandro Giangola, coordenador geral das Ações de Controle do Aedes aegypti do município de São Paulo.

Pode fazer mal para saúde?

Pode fazer mal à saúde somente se o contato com o inseticida for duradouro ou recorrente. Nestes casos pode causar intoxicação e a longo prazo desenvolvimento de câncer e outras doenças. O Ministério da Saúde recomenda o uso somente em locais onde há casos comprovados de dengue, chikungunya, zika ou febre amarela. Seu uso deve ser feito para o combate ao mosquito, nunca de forma preventiva.

Não preciso mais me preocupar porque passaram o fumacê em casa?

Não é bem assim. O inseticida dura em torno de meia hora e mata apenas os mosquitos que estiverem voando no local no momento em que o produto estava sendo usado. Isso porque as gotas do veneno são projetadas para grudar na asa do mosquito e envenená-lo.

Caso contrário, eles não morrem.

A temperatura e o clima afetam a eficácia do inseticida?

Sim. Chuva, calor intenso e ventos acima dos 6 km/h diminuem a eficácia do produto. O ideal é o fumacê ser usado no começo da manhã e no fim da tarde, quando a temperatura está mais amena e quando a fêmea do Aedes aegypti está “faminta” por picar as pessoas.

O fumacê tem que ser feito em uma área aberta?

Sim. De preferência em quintais ou garagens. As janelas e portas devem ficar abertas já que mosquitos vivem dentro de casa também. Moradores e animais de estimação devem deixar a residência durante a nebulização e só voltar ao menos meia hora depois. Alimentos devem ser tampados ou guardados. Por ser tóxico, o inseticida usado nos fumacês não deve ser jogado diretamente dentro de locais fechados da casa.

O fumacê pode fazer mal para os animais?

Os inseticidas em geral, quando inalados, podem causar alterações neurológicas como dor de cabeça e, em casos de muita exposição, podem causar intoxicação tanto em humanos quanto em animais. A diferença está na dose. Nebulizações feitas por agentes de vigilância têm a capacidade de matar mosquitos e pássaros.

Fumacê a cada duas semanas controla o Aedes no local?

A ação do inseticida é localizada e pouco duradoura. Ele mata somente mosquitos que estiverem voando no momento em que o veneno é usado. Seu efeito dura, em média, meia hora. Depois disso não mata mais nenhum mosquito que por acaso vá sobrevoar o local. Por isso, a maneira mais eficaz de combater o avanço dos mosquitos é acabar com os criadouros.

O que eu devo fazer quando passar o fumacê na minha casa?

Saia de casa e leve seus animais de estimação junto. Guarde alimentos ou deixe tudo coberto. Abra janelas, portas e o box do banheiro. Deixe lençóis e cobertas sem arrastar no chão e proteja aquários e gaiolas

O fumacê é inflamável?

As atuais formulações utilizadas são à base de água, não havendo risco de ser inflamável. Os inseticidas utilizados pelo Ministério da Saúde são autorizados pela Organização Mundial da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária apenas para uso de entidades especializadas

O fumacê serve como larvicida?

Não. O inseticida é usado para matar mosquitos adultos enquanto o larvicida é usado nos criadouros onde as larvas nascem e crescem. O larvicida é jogado nos locais de água parada.

Encontro o “veneno” do fumacê para comprar?

Não. O tipo de inseticida usado no combate ao Aedes aegypti é distribuído pelo Ministério da Saúde aos Estados, que repassa aos municípios. Sua venda é controlada para evitar o uso excessivo e assim fazer os mosquitos criarem resistência à fórmula.

 Fonte de pesquisa:

Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ. 

ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva

 Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto), Professor Servio Ribeiro, biólogo e professor de ecologia.

Sérgio Foguel - Colunista do Portal Olhar Dinâmico.