Para DESCOBRIR: # GASTRONOMIA como Identidade Cultural. Por Jeiane Costa*

28/10/2017 21:47
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O Blog Meio às Palavras concedeu esse artigo para o Portal Olhar Dinâmico, confira:

 

Olá pessoas queridas!

Vamos  falar sobre gastronomia?

 

A importância do alimento para o homem vai além do mero instinto de sobrevivência. Entre outros aspectos, os hábitos alimentares têm raízes profundas na identidade cultural do indivíduo. Assim, é possível identificar a identidade de pessoas e/ou de grupos sociais por meio da culinária: na seleção dos alimentos, o modo de preparo e a maneira de consumo.

 

Para DaMatta (1986) essa identificação vale tanto para indicar o ato universal de alimentar-se quanto para definir e marcar identidades pessoais e grupais, estilos regionais e nacionais de ser, fazer, estar e viver. O autor defende a ideia de que a comida define as pessoas e, também, as relações que as pessoas mantêm entre si. Essa colocação explica a expressão usada pelos brasileiros de “sentir saudade” de certas comidas.

 

A questão da identidade é algo significativo. “saber quem somos e como somos. Sobretudo quando nos damos conta de que o homem se distingue dos animais por ter a capacidade de se identificar, justificar e singularizar: de saber quem ele é.  Se constrói uma identidade por meio de uma multidão de experiências dada a todos os homens e sociedades, algumas necessárias à própria sobrevivência como comer, dormir, morrer, reproduzir-se, etc. A palavra cultura exprime precisamente um estilo, um modo e um jeito de fazer as coisas”.

Burity (2014) afirma que dentre as manifestações da cultura que contém um significado identificável por pessoas inseridas em um grupo a culinária tem forte representação do cotidiano humano, rica em significado e significante, pois pertence a um grupo que a reconhece como tal, por exemplo, a associação do acarajé à culinária baiana e o churrasco ao gaúcho.

 

Cascudo (1983) diz que “as predileções alimentares se constroem a partir de uma complexa trama entre norma de uso e respeito à tradição”. Assim, nossas preferencias e escolhas culinárias não se relacionam com as funções nutricionais dos alimentos, e sim, estão fundamentados na absorção de paradigmas que envolvem as dimensões ética, estética e dietética.

 

Dessa maneira, outro aspecto a ser considerado são as tradições alimentares. Para Wainberg (2003 p.67), ”Identidades são construções imaginadas e seu acesso a elas reguladas pela tradição e o costume”.

 

De acordo com Fernandes e Arrnesto (2004) A alimentação humana é rica em tradição. É envolta em adornos elegantes, costumes e tabus. “Não comemos com nossos dentes e não ingerimos com nosso estômago, comemos com nosso espirito, degustamos segundo as normas culturais” (Moulin, 1975).

Mendes (2014) afirma que A tradição, a história, os sabores, as técnicas e as práticas culinárias somadas são geradores da formação das culturas regionais. Nesse sentido, Beluzzo (2004) acredita que há uma tendência das sociedades à valorização patrimonial de sua cozinha, bem como o resgate da culinária tradicional em várias partes do mundo, ocorrendo, então, a revalorização das raízes culturais. 

 

Em todo Brasil os costumes e seus valores são bem demonstrados, inclusive na gastronomia, permitindo assim a evidência da grande mistura de povos. Sobre esse aspecto, todos estados buscam resgatar as suas culturas, para não deixar morrer algumas receitas tradicionais. Muitas cidades têm os seus pratos típicos que surgiram dos costumes dos índios, dos negros e dos portugueses, e que até a atualidade se esforçam para manter a tradição e valorização dos costumes, em outras palavras, a preservação da identidade cultural.  

 

No Maranhão, essa demonstração de costumes e valores é bem marcante na gastronomia que está presente tanto no cotidiano dos maranhenses quanto nas festas tradicionais e nos festejos religiosos.

 

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Abraço,

 

Jeiane Costa.

jeianecosta.novel@outlook.com

www.meioaspalavras.blogspot.com.br

 

 

*Jeiane Costa: Brasileira, nascida em 28 de março de 1991, descobriu o amor às palavras ainda criança. Desde adolescente escrevia textos com pequenas narrativas apenas para diversão da família e amigos. Paralelo a isso, sempre buscou se expressar através da arte com desenhos que retratassem o ser humano e o meio no qual está inserido. Sempre almejou tornar-se romancista. Atualmente, colabora com o Portal Olhar Dinâmico através do projeto “Sobre o amor” onde apresenta contos e ilustrações que tratam à temática. Sonha em alcançar leitores adultos que ainda possuem no coração o romance juvenil.

 

Créditos especiais:

ABREU, Edeli Simoni de Abreu; VIANA, Isabel Cristina; MORENO, Rosymaura Baena; TORRES, Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva. [artigo] Alimentação mundial – uma reflexão sobre a história. Saude soc. Vol. 10 nº2 São Paulo. Aug./Dec.2001

BRAGA, Vivian. [artigo] cultura alimentar: contribuições da antropologia da alimentação. Saúde em revista. Disponivel em:<www.unimep.br/phpg/editora/revistaspdf/saude13art05.pdf>. Acesso jun 2015

BURITY, Ana Leticia. [dissertação] Culinária maranhense: a Identidade Alimentar na capital do Maranhão sob o olhar dos frequentadores das áreas turísticas. 2014.

CARVALHO, João Renôr Ferreira de. Ação e presença dos portugueses na Costa Norte do Brasil no século XVII – a guerra do maranhão.  Teresina: EDUFPI, e Ethos Editora, 2014.

CAVALCANTI, Pedro. A pátria nas panelas: historias e receitas da cozinha brasileira. São Paulo: ed. Senac São Paulo, 2007

DAMATTA, Roberto. O que Faz o brasil, Brasil. Rio de janeiro: ed. ROCCO, 1986.

FRANCO, Ariovaldo. De caçador a gourmet: uma historia da gastronomia. Ed SENAC São Paulo. 2010

FREEDMAN, Paul. A historia do sabor. organizador; tradução de Anthony Sean Cleaver. – São Paulo: Ed. Senac São Paulo, 2009

FREIXA, Dolores; CHAVES, Guta. Gastronomia no Brasil e no mundo. 2 ed. 2 reimpr. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2012

LACROIX, Maria de Lourdes Lauande. A Fundação Francesa de São Luis e seus mitos.

LEAL, Maria Leonor de M.S. A historia da gastronomia. SENAC. DN. Rio de Janeiro. Ed. Senac Nacional, 1998

LIMA, Zelinda Machado de Castro. Pecados da gula: comeres e beberes das gentes do Maranhão. 2 ed. Amp. – São Luis: instituto Geia, 2012

MONTANARI, Massimo. Comida como cultura. Tradução de Leticia Martins de Andrade. São Paulo: Senac São Paulo, 2008