Dia da Mulher AfroLatino Americana e Caribenha foi comemorado com marcha das mulheres negras em todo Brasil

30/07/2017 10:55
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Por Geni Saldanha dos Santos Silva* 

A União de Negras e Negros pela Igualdade, UNEGRO, é uma entidade da luta contra o racismo, as desigualdades de gênero e a exploração de classe, fundada há 29 anos em Salvador e hoje presente em 24 estados do país.

Compreendemos que a nação brasileira foi forjada sobre quase 400 anos de escravismo colonial e sob o patriarcado que deixaram perversas consequências na vida da população negra em especial das mulheres negras.

Continuamos com os menores salários, amplamente presentes em subempregos e excluídas das atividades intelectualizadas, estamos morrendo mais e desfrutando da solidão afetiva que algumas nem ousam discutir e as que ousam são duramente atacadas, e, ainda, somos sexualmente descartáveis e fetichizadas.

Na mídia, continuamos estereotipadas. Na saúde, somos também excluídas das discussões que resultam em políticas públicas que não nos incluem. Mulheres negras convivem mais intensamente com a violência doméstica e com o desemprego. Com a desvalorização e baixos salários. Com o assédio e invisibilidade nos espaços acadêmicos. 

O Mapa da Violência de 2015 da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) aponta que 66,7% de mulheres negras são assassinadas a mais do que brancas. O feminicídio das negras aumentou em torno de 54% enquanto o das brancas diminuiu 9,8%. Dados como estes corroboram com outros dados alarmantes como o alto índice de mortalidade da juventude negra no país, cujo risco de morrer assassinado é 2,5 vezes maior que de jovem branco, compreendendo cerca de 71% dos jovens assassinados no país e até hoje não diminuiu pois ainda estamos morrendo, por isso gritamos: Parem de nos matar !!!

No contexto do golpe orquestrado por uma elite branca, racista e misógina são os direitos das mulheres negras os primeiros a serem atacados e desrespeitados. Todas as políticas sociais conquistadas pelas mulheres negras na última década estão sendo destroçadas! As medidas do desgoverno Temer visam afundar o país e devolver o povo à situação de extrema pobreza e desespero. Por isso,  continuamos nas ruas contra as reformas do governo Temer e pela reconquista da democracia, por diretas já!

 

Por isso, no dia 25 de julho, Dia da Mulher AfroLatino Americana e Caribenha, fizemos referência à nossa ancestralidade e a todas as mulheres africanas e da Diáspora e seguimos em Marcha por todo o Brasil pelo fim do feminicidio, do racismo, pelo Fora Temer e pela reconquista da democracia : #DiretasJá !!

UNIÃO DE NEGROS PELA IGUALDADE      

Geni Saldanha dos Santos Silva* 

Presidente da Associação Mulheres Comunitária
Filiada a União Brasileira de Mulheres do Estado de São Paulo.
Nossos Parceiros: Facesp (Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo e a CONAN (Confederação Nacional das Associações Comunitárias)