"No momento do nascimento, bebê teve o braço quebrado e Hospital ainda engessou o braço errado", diz Bruna Hernandes, especialista em direito médico

23/07/2017 18:40
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Por Glauco Braga

A advogada Bruna Hernandes é graduada pela Unimonte, pós-graduada em Direito Civil e Processo Civil pelo Legale. Pós-graduanda em Direito Médico da Saúde, membro efetivo da comissão do Jovem Advogado, coordenadora do Projeto OAB vai à Faculdade, especialização e, conciliação e mediação pelo Tribunal de Justiça de SP, curso de extensão em revisão de Plano de Saúde e tratamento Médico e remédio pelo Legale. Ela conversou com o Blog Santos Em Off sobre os problemas que os pacientes enfrentam nos hospitais e como está a situação na Baixada Santista.

Dra. Bruna, dá para fazer uma avaliação sobre o número de erros médicos ou negativa de atendimento na Baixada Santista? Os casos aumentam ou não? Por quê?

 A princípio, entendo que não é possível avaliar os erros médicos, há uma necessidade de analisar individualmente cada caso e sua particularidade, nem tudo que parece ser erro médico, o é. O profissional de medicina é como a profissão de advogado, é uma atividade meio, não se pode determinar o resultado, deve sim, atentar-se aos protocolos. Mas há casos em que o profissional está desamparado da estrutura e de condições adequadas para o exercício da profissão, outras, que realmente trata-se de erro médico, entretanto, essa avaliação, às vezes, por falta de conhecimento do paciente ou dos seus familiares, impede a vítima de saber se tal conduta foi ou não originária de um erro médico. Já sobre a negativa de cobertura pelo convênio médico ou atendimento na Rede Pública é possível avaliar. Os convênios estão cada vez mais negando procedimentos, coberturas e até exames clínicos. As recorrências desses casos estão aumentando gradativamente. Já na Saúde Pública, como sabemos, a situação é ainda pior, há falta de estrutura e vagas.

Quando a pessoa está doente e precisa de um hospital e ela é vítima de um erro médico ou algo parecido, como ela chega psicologicamente até um advogado?

Quando o paciente sobrevive e quando ela entende ou acha que é vitima, muitas coisas podem acontecer, pois vai depender do erro acometido, há casos de revolta, há casos de medo, há casos de abalo moral. Tenho uma cliente  no escritório que foi vitima de erro de diagnóstico, quase morreu, e o que seria um procedimento de menor gravidade, inclusive esteticamente, ocasionou um agravamento da doença que quase a levou a óbito, e em consequência, uma cicatriz enorme na barriga. Hoje, com 33 anos ela tem vergonha de  expor sua barriga.

Quais os casos mais graves que você teve contato e que viraram ou não processo?

Tenho um caso que esta em andamento ainda, de um parto por cesariana, onde o bebê, no momento do seu nascimento, teve o braço quebrado. E se não bastasse essa horrenda situação, o Hospital ainda engessou o braço errado do bebê.

Existe uma sensação que sempre o médico está certo. O que acha disso?

Na verdade penso que a sensação não está em achar que o médico está certo ou não, até porque é o que esperamos sempre quando somos atendidos por esses profissionais, mas na sensação de ignorância que sentimos, a maioria da população não sabe o procedimento adequado para saber se o que foi feito é o correto. Mas nesse caso, penso que temos que ter o mínimo de bom senso. No Código de Ética Médica e também em legislação comum, como o Código de Defesa do Consumidor, é dever do médico a transmissão de informações pertinentes ao caso, ao paciente. Portanto, a população, o cidadão, precisa também zelar por sua saúde e da sua família, e o diálogo com seu médico é o melhor caminho. Por fim, se eu pudesse dar uma dica resumida, seria, além do diálogo que deve sempre prevalecer, sentindo-se ainda com dúvidas, procure uma segunda opinião médica, ou um advogado da sua confiança, preferencialmente claro, sempre que possível, (como na área medica) especializado na matéria, para buscar respostas.