Vou de Uber ou do jeito que eu quiser

09/06/2017 22:37
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Por Glauco Braga

Na semana passada, mais uma vez, tivemos uma manifestação de taxistas contra o Uber, Cabify, ou seja, aplicativos de transporte de passageiros, em Santos. Alguns pontos precisam ser esclarecidos. Os taxistas, talvez por falta de comando na categoria, continuam apontando seus canhões para o alvo errado.

Não sei se por covardia ou burrice mesmo, os profissionais escolheram os jornalistas para despejar sua ignorância e truculência na hora que resolvem protestar pela existência de uma concorrência. Já é o segundo caso de xingamento e tentativa de agressão. Dessa vez, os brucutus se superaram e atiraram um rojão ou uma bomba na direção de uma repórter e um fotógrafo do Jornal A Tribuna.

taxi

A situação está fugindo do controle. O presidente do Sindicato dos Taxistas, uma entidade que reúne trabalhadores, se omite e não responde aos ofícios enviados pelos Sindicato dos Jornalistas, mais precisamente por mim, diretor regional da Baixada Santista. Somente, quando alguém se machucar seriamente ou mesmo morrer, é que parece que o líder supremo dos taxistas vai levantar a bunda da cadeira e tomar uma atitude.

Trabalhador não agride nem bate em trabalhador. Quem faz isso é covarde. Na primeira oportunidade, além dos jagunços, o vereador Ademir Pestana estava lá, mostrando seu excesso de masculinidade e incentivando que os taxistas ofendessem e pressionassem uma jornalista apenas fazendo seu trabalho. Jornalista não é Táxi, Uber, Cabify nem nada, jornalista é trabalhador e deve ser respeitado. Na ocasião, pedi um posicionamento do PSDB, partido de Pestana, do Sindicato e da Câmara Municipal. Passado quase um ano, aguardo a resposta.

Faça um desafio ao presidente do Sindicato dos Taxistas Samuel Fonseca. Pegue seus jagunços e brucutus, já que quem ameaça e agride trabalhador não é nada mais do que isso, e faça um grande protesto em frente ao Jornal A Tribuna, na Rua João Pessoa, 129, Centro, Santos. Aí, os taxistas estarão protestando contra quem manda ou pauta um repórter a cobrir manifestação até carroças. Respeite quem apenas cumpre ordens e não pode contestá-las. Levem faixas e critiquem todos que mandam no jornal. Mostrem coragem e façam um protesto legítimo e honesto.

Se o taxista perdeu passageiros, será que o problema também não está na maneira que eles trabalharam durante décadas, sem concorrência? Enquanto resolvem agredir trabalhadores e seguem sem comando, os motoristas do Uber se articulam e, em breve, vão lançar uma associação.  Um detalhe é que eles receberam apoios que vão surpreender muita gente. A conferir.